Como a extrema-direita usa a violência digital para atacar mulheres, pessoas racializadas e LGBTQIA+
Vivemos tempos em que a batalha cultural travada nas redes sociais ultrapassa o debate comum, transformando-se em uma guerra metapolítica. Essa estratégia da extrema-direita, fundamentada em uma disputa prolongada para reconfigurar valores, identidades e sentidos sociais, molda discursos públicos e cria um ambiente hostil especialmente para mulheres, pessoas racializadas e a comunidade LGBTQIA+.
O que é metapolítica e por que importa?
Metapolítica é um conceito que explica como movimentos de direita radical buscam mudar a sociedade não apenas através do poder institucional imediato, mas influenciando ideias, emoções e narrativas culturais ao longo do tempo. Inspirada na teoria de Antonio Gramsci, essa luta cultural atua para redefinir o que é considerado “bom senso” ou “normal”.
Após a Segunda Guerra, grupos da Nova Direita adotaram essa tática para infiltrar seus valores em meios de comunicação, educação e debates públicos, ampliando os limites do que pode ser dito e aceito. Hoje, discursos misóginos, racistas e anti-LGBTQIA+ se naturalizam em parlamentos, escolas e mídias, com as redes digitais como campo fundamental para essa batalha.
O papel das redes digitais na disputa metapolítica
Plataformas como YouTube, X, Telegram e TikTok permitem que influenciadores e grupos de extrema-direita contornem os meios tradicionais e criem conteúdos que misturam humor, memes, vídeos curtos e narrativas conspiratórias. Essa forma de comunicação torna a ideologia mais acessível e cria uma sensação de pertencimento, transformando política em uma experiência afetiva e identitária.
Um exemplo emblemático é a “manosfera”, um conjunto de canais e fóruns que disseminam misoginia, racismo e teorias conspiratórias, apresentando o feminismo e a diversidade como ameaças à “masculinidade” e à “ordem natural”.
Impactos na vida de mulheres, pessoas racializadas e LGBTQIA+
Essa normalização metapolítica tem consequências reais e violentas. Mulheres, pessoas racializadas e LGBTQIA+ são os principais alvos de ataques digitais, que incluem assédio, doxxing e campanhas de desinformação que buscam silenciar e deslegitimar suas vozes. Algoritmos que priorizam conteúdos que geram revolta amplificam esses ataques, aumentando seu alcance e impacto.
Na Espanha, por exemplo, grupos de extrema-direita associam movimentos feministas e LGBTQIA+ a uma suposta ameaça à família tradicional, enquanto incitam o ódio contra migrantes, culminando em episódios de violência física e racista nas ruas. Na Itália, grupos como “La Mia Mogle” compartilham imagens sexualizadas e não consensuais de mulheres, perpetuando a cultura da violência sob o pretexto de humor e amizade masculina.
Além disso, influenciadores digitais reembalam discursos de ódio em conteúdos aspiracionais, como vídeos de “autoaperfeiçoamento” e guias para “masculinidade alfa”, tornando o espaço digital um laboratório de pânico moral que naturaliza a exclusão e o preconceito.
Perspectivas para resistir e transformar
Embora a metapolítica da extrema-direita pareça uma força avassaladora, é fundamental reconhecer que essa configuração do “bom senso” é fruto de estratégias políticas específicas, e não um consenso cultural inquestionável. Essa compreensão abre espaço para uma resistência que resgate a cultura, o humor e a emoção como territórios de imaginação democrática, feminista, queer e antirracista.
Para a comunidade LGBTQIA+, compreender essas guerras digitais metapolíticas é essencial para fortalecer redes de solidariedade, denunciar violências e reivindicar espaços seguros, tanto online quanto offline.
É urgente que reconheçamos como a violência digital contra nossas identidades é parte de um projeto político maior, que visa minar nossos direitos e nossa existência. Somente com consciência crítica e união podemos desarmar essas estratégias e construir uma cultura inclusiva e respeitosa para todxs.
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