Autor não-binário transforma vivências LGBTQIA+ em suspense na Bienal do Livro de Pernambuco
Lucas Santana vem conquistando seu espaço como um dos principais nomes do horror na literatura brasileira, com uma voz potente e necessária para o público LGBTQIA+. Autore não-binário, Lucas mergulha no terror queer, um subgênero que utiliza o horror para expor as violências e desafios enfrentados por pessoas LGBTQIA+ na realidade latino-americana.
Inspirade pela escritora argentina Mariana Enriquez, que traz à tona os horrores cotidianos de nossa região, Lucas decidiu usar o gênero para dar voz e protagonismo a minorias, transformando o medo e a opressão em narrativas fantásticas e simbólicas. Elu explica que o horror nas suas obras não é apenas um entretenimento, mas uma forma de denunciar e desnaturalizar a violência contra pessoas LGBTQIA+.
Recife como cenário e personagem
Embora seja natural de João Pessoa, Lucas escolheu Recife para ambientar suas histórias, fazendo da cidade um personagem vivo de suas obras. Em Sangue Raro, locais emblemáticos do Recife, como o Carnaval e o Morro da Conceição, ganham vida dentro do universo do terror queer. Essa escolha reforça a resistência cultural e social, elementos centrais das narrativas de Lucas, que exploram a luta contra a opressão com um toque de fantasia e crítica social.
Já em seu mais recente trabalho, Bruxa de Areia, a trama acontece em Brasília Teimosa e aborda temas urgentes como especulação imobiliária, luta por territórios e questões ambientais, reforçando ainda mais a conexão com a realidade local. Ilustrado por Lorena Falcão e fruto da Lei Audir Blanc, o livro terá sessão de autógrafos na Bienal do Livro de Pernambuco, evento que marca a estreia de Lucas como convidade.
Presença na Bienal do Livro de Pernambuco
Com uma obra que foge do convencional e representa uma voz fora do senso comum, Lucas Santana celebra sua participação na Bienal do Livro de Pernambuco, que acontece de 3 a 10 de outubro. No domingo, dia 5, o autore estará no estande Lavanda Literária para autografar Bruxa de Areia. Nos dias seguintes, Lucas participa de mesas de debate, como “Raízes do terror latino-americano; como nossos medos ainda precisam ser explorados na literatura”, debatendo o papel do horror queer e do suspense nacional, sempre com um olhar LGBTQIA+ que amplia o alcance do gênero.
Para a equipe editorial do acapa.com.br, a trajetória de Lucas Santana é um marco essencial para a representatividade no universo literário e cultural, mostrando que o horror pode ser um instrumento poderoso de resistência e reflexão para a comunidade LGBTQIA+ e para todo o público que busca histórias que vão além do convencional.
Que tal um namorado ou um encontro quente?


