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Igreja independente do Maine processa Igreja Metodista por disputa de templo

Igreja independente do Maine processa Igreja Metodista por disputa de templo

Congregação acusa denominação de tentar tomar sua propriedade e rejeita filiação imposta

Uma pequena igreja independente na cidade de Cushing, no estado do Maine, Estados Unidos, entrou com uma ação judicial contra a Conferência Anual da Igreja Metodista Unida da Nova Inglaterra. A congregação Broad Cove alega que a denominação tenta tomar o controle de seu templo de forma indevida, colocando em risco sua autonomia e propriedade.

A Broad Cove Church sustenta que mantém uma relação funcional com a Igreja Metodista Unida, em que a denominação indica um pastor para a congregação, que por sua vez remunera os serviços, mas que isso não configura filiação formal. Segundo a denúncia, o pastor designado pela denominação, Michael Leonard, que assumiu em 2023, tem tentado impor mudanças para classificar a igreja como exclusivamente metodista, o que os membros rejeitam.

Conflito pela identidade e propriedade da igreja

O processo afirma que a Igreja Metodista Unida busca expandir sua influência declarando que a Broad Cove é uma comunidade exclusivamente metodista, obrigando os membros que não se identificam como metodistas a se submeterem ou a buscar outras igrejas. Além disso, a denominação estaria exigindo que a congregação se submeta ao “Livro de Disciplina” da Igreja Metodista Unida, com o objetivo final de tomar posse dos bens imóveis e móveis da igreja.

Após os membros da Broad Cove votarem pela destituição do pastor Leonard, a Igreja Metodista Unida enviou uma carta alegando que a propriedade da igreja pertence a um fundo fiduciário da denominação, não à congregação local. A Broad Cove contesta essa alegação, apresentando escrituras e documentos legais que comprovam que o imóvel pertence à congregação.

Contexto da Igreja Metodista Unida e os desafios internos

Fundada em 1968 a partir da fusão de outras igrejas, a Igreja Metodista Unida tem enfrentado nos últimos anos a saída de milhares de congregações, especialmente aquelas mais conservadoras, devido a debates sobre ética sexual e inclusão da população LGBTQIA+. Entre 2019 e 2023, mais de 7.500 igrejas deixaram a denominação.

Em 2024, a Igreja Metodista Unida aprovou a retirada da proibição ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e à ordenação de homossexuais não celibatários. No entanto, muitos órgãos regionais optaram por manter padrões tradicionais, enquanto outros se desligaram da denominação, aprofundando divisões internas.

Recentemente, a conferência regional da Nova Inglaterra passou a listar oficialmente a Broad Cove como igreja-membro, com o pastor Leonard, mesmo com a resistência da congregação. Essa situação revela o embate entre autonomia local e controle denominacional, especialmente em um contexto de transformações culturais e religiosas.

Implicações para a comunidade LGBTQIA+

Essa disputa entre a igreja independente e a Igreja Metodista Unida reflete tensões maiores dentro do cristianismo sobre identidade, autonomia e inclusão. Para o público LGBTQIA+, essas batalhas são emblemáticas das dificuldades que enfrentam para terem seus espaços respeitados dentro das comunidades religiosas tradicionais.

O caso Broad Cove ressalta a importância de congregações que buscam manter sua independência para acolher diversidades e práticas inclusivas, sem imposições que possam limitar sua liberdade de expressão e fé. É um lembrete de que a luta por reconhecimento e respeito dentro das igrejas é contínua e precisa ser acompanhada de perto pela comunidade LGBTQIA+ e seus aliados.

Em um momento em que muitas denominações se dividem entre conservadorismo e progressismo, o episódio da Broad Cove Church no Maine nos convida a refletir sobre como o espaço religioso pode ser tanto um local de acolhimento quanto de conflito. Para a comunidade LGBTQIA+, a busca por igrejas que respeitem sua identidade e autonomia é também uma luta por dignidade e pertencimento.

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