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Jogador revela por que não há atletas LGBTQIA+ assumidos na AFL

Ex-jogador expõe a cultura da homofobia no futebol australiano que impede que estrelas saiam do armário
Jogador revela por que não há atletas LGBTQIA+ assumidos na AFL

Ex-jogador expõe a cultura da homofobia no futebol australiano que impede que estrelas saiam do armário

O mundo do futebol australiano, a AFL, volta a discutir a ausência de jogadores assumidamente LGBTQIA+ na elite do esporte. Um ex-atleta, que preferiu se identificar apenas como ‘Jason’, abriu o jogo sobre os motivos que fazem com que nenhum jogador atualmente se declare publicamente gay, mesmo em 2025.

Recentemente, a polêmica voltou a tona após Izak Rankine, estrela do Adelaide Crows, ser suspenso por quatro partidas por usar um insulto homofóbico contra um adversário do Collingwood. A palavra ofensiva – informada como o termo pejorativo ‘f****t’ – foi considerada pelo tribunal da liga como altamente inapropriada, mas o jogador recebeu um castigo que muitos consideraram brando, evidenciando a dificuldade da AFL em lidar com o tema de forma consistente.

Uma cultura que afasta a diversidade

Jason revelou ao ABC Melbourne que a raiz do problema está na cultura ainda hostil que envolve o futebol australiano. “Há uma razão para não termos um jogador assumido na AFL”, afirmou. “Todos os outros esportes já possuem atletas assumidos, mas no futebol australiano o ambiente ainda é muito tóxico.”

Além disso, ele compartilhou relatos dolorosos de sua vivência pessoal, sofrendo preconceito mesmo após sua aposentadoria. “Tiveram momentos em que escreveram aquele insulto homofóbico na minha foto do time, no vestiário”, conta. “Nos domingos, mesmo depois de ter parado de jogar, meus ex-companheiros faziam piadas e me chamavam com termos pejorativos. Era um assédio constante. Isso precisa acabar, custe o que custar. Se o Izak perder a final, que perca. Não há espaço para homofobia em lugar nenhum.”

A solidão de ser o único gay

Outro ex-jogador, Michael O’Donnell, compartilhou sua experiência de isolamento sendo o único atleta gay em um clube regional de Melbourne, Austrália. “Os vestiários e os campos não eram espaços seguros para mim”, desabafou. “As piadas, os comentários sutis, mas frequentes, acabavam machucando profundamente.”

Incidentes homofóbicos não são raros na AFL. Em 2024 e 2025, vários jogadores foram punidos por ofensas homofóbicas, como Jeremy Finlayson, Wil Powell, Lance Collard e Jack Graham. Além disso, episódios de comentários ofensivos de figuras públicas ligadas ao esporte evidenciam o problema enraizado.

O impacto da homofobia e a urgência da mudança

O’Donnell refletiu sobre os efeitos devastadores desse ambiente: “Ouvir essas palavras internaliza a homofobia e gera um ciclo de auto-ódio que é difícil de superar.” Ele lamenta ter perdido 15 anos da vida por não ter referências e reforça a importância de alguém romper o silêncio para abrir caminho para futuras gerações. “Se um jogador der esse passo, muitos jovens talentos poderão chegar ao topo do esporte assumidos e livres. Esse seria um legado poderoso.”

Enquanto a AFL tenta avançar na repressão a comportamentos homofóbicos, a ausência de atletas LGBTQIA+ assumidos mostra que o caminho para uma cultura mais inclusiva ainda precisa ser trilhado com urgência. A representatividade no esporte é fundamental para que jovens e fãs LGBTQIA+ se sintam acolhidos e inspirados.

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