Yusuf Çelik denuncia repressão e violência contra jornalistas LGBTQIA+ na Turquia em meio à campanha anti-diversidade
Yusuf Çelik, jornalista independente focado em pautas LGBTQIA+, vive na pele os desafios de ser uma voz queer em um país onde a liberdade de imprensa e os direitos LGBTQIA+ são constantemente ameaçados. Desde jovem, marcado pela violência de grupos extremistas em sua cidade natal Erzurum, na Turquia, Çelik escolheu a reportagem como forma de resistência e expressão, trazendo à luz histórias da comunidade que raramente encontram espaço nos grandes meios.
O peso de denunciar em um ano contra a diversidade
Em 2025, o governo turco, através do partido no poder, instituiu o “Ano da Família”, uma campanha que promove valores tradicionais islâmicos e reforça discursos anti-feministas e anti-LGBTQIA+. Embora a identidade queer não seja ilegal no país, a repressão se dá por meio de leis vagas que criminalizam comportamentos que supostamente ferem a “moral pública”. Propostas legislativas recentes chegaram a prever punições severas para quem “promovesse comportamentos contrários ao sexo biológico”, o que poderia atingir diretamente ativistas, jornalistas e pessoas trans.
Apesar da retirada temporária dessas medidas após forte reação da sociedade civil, o cenário permanece hostil. “O ano da família se tornou a década da família”, afirma Çelik, que já foi preso três vezes só neste ano, sofrendo violência policial durante manifestações e sendo alvo de interrogatórios intimidadórios.
O preço da visibilidade e a luta pela voz queer
Durante a cobertura da Marcha do Orgulho de Istambul, em junho, Çelik foi detido junto a dezenas de outras pessoas. Em outra ocasião, foi preso por sua presença em um festival cultural e, mais recentemente, sofreu uma abordagem violenta por agentes armados em um ponto de ônibus em Dersim. Mesmo diante da pressão, recusou-se a colaborar com as autoridades, mantendo sua integridade e compromisso com a comunidade.
Para ele, a existência de poucos jornalistas LGBTQIA+ torna seu trabalho ainda mais crucial. “Se uma dessas vozes calar, o risco é o silêncio completo sobre nossas histórias”, explica. Em meio a um mercado jornalístico fragilizado por cortes, ameaças e censura, a luta por uma mídia livre e plural é, para Çelik, uma questão de sobrevivência e esperança.
Resiliência e compromisso com a verdade
Apesar do medo e da perseguição, Çelik não pensa em desistir. “Podem criminalizar nosso trabalho, mas estaremos sempre ao lado do povo”, garante. A coragem de jornalistas como ele mantém viva a chama da resistência e da representatividade, essenciais para que a diversidade floresça mesmo sob o peso da opressão.
Essa história nos lembra que a batalha pela liberdade de expressão e pelos direitos LGBTQIA+ é também uma luta pela humanidade e pela dignidade de todas as pessoas. No contexto turco, onde o conservadorismo tenta silenciar as vozes dissidentes, a presença de jornalistas queer é um ato de coragem e amor coletivo. Celebrar essas vozes é fortalecer a comunidade e inspirar outras pessoas a não se calarem diante da injustiça.
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