Pesquisador alerta para nova onda de ataques à comunidade LGBTQIA+ em evento na Casa Museu Pérez Galdós
Na Casa Museu Pérez Galdós, em Gran Canaria, o pesquisador e docente da Universidade de La Laguna, José Antonio Ramos Arteaga, conduziu uma conferência impactante intitulada Manual de sobrevivência contra a machofachaesfera: ativismos e academias LGTBIQ+. O evento, realizado no dia 26 de junho, destacou a necessidade urgente de resistência contra a crescente onda de discursos diversofóbicos que ameaçam a comunidade LGBTQIA+.
Resistência e acolhimento em tempos difíceis
Arteaga, conhecido por seus estudos sobre o ódio homofóbico histórico e as vivências trans, expôs como os discursos dominantes na medicina, nas legislações e nas religiões continuam a atacar a diversidade corporal, de orientações, expressões e identidades. Essa ofensiva contrasta diretamente com o espírito queer, que simboliza a celebração da diferença e a luta pela autonomia dos corpos.
Para o pesquisador, o momento exige organização coletiva e criação de redes de cuidado para se proteger do autoritarismo crescente. Ele também ressaltou a importância das ações individuais e privadas como parte dessa resistência, um chamado para que todxs se unam na defesa dos direitos e da dignidade das pessoas LGBTQIA+.
Histórico dos ativismos LGTBIQ+
Originados da hostilidade dos anos 1980 contra pessoas dissidentes, os ativismos e as academias LGTBIQ+ são o elo vivo da continuidade histórica das lutas contra a violência sistemática em contextos conservadores. Eles representam a força de quem desafia as normas rígidas de sexo e gênero, mantendo acesa a chama da liberdade e da diversidade.
José Antonio Ramos Arteaga alerta que, apesar de parecer que voltamos a antigos cenários de combate, os argumentos diversofóbicos permanecem os mesmos, porém o campo de batalha está muito mais abrangente e perigoso, exigindo vigilância constante e engajamento ativo para garantir avanços e respeito.
Quem é José Antonio Ramos Arteaga
Professor da Universidade de La Laguna, Arteaga se dedica à literatura e práticas performativas como formas de desafiar narrativas consolidadas. Além de seu trabalho acadêmico no Mestrado em Gênero e Políticas de Igualdade, ele coordenou o programa Tra(n)s no Tenerife Espacio de las Artes (TEA), que abordou as dificuldades enfrentadas por pessoas trans em contextos de fronteiras e exílios.
Seu compromisso com a visibilidade e o enfrentamento aos discursos de ódio o torna uma voz fundamental para a comunidade LGBTQIA+, especialmente em tempos onde a diversofobia tenta se rearticular e ganhar espaço.
Este evento na Casa Museu Pérez Galdós reforça a importância do diálogo, da educação e da união para resistir a qualquer forma de opressão.