Ator baiano abriu feridas do passado em entrevista e explicou por que sua relação com a mãe voltou ao centro do debate. Entenda.
Lázaro Ramos voltou aos assuntos mais buscados no Brasil nesta segunda-feira (6), após uma entrevista publicada pela GQ Brasil, em que o ator baiano de 47 anos falou sobre a relação com a mãe, dona Célia Sacramento, morta aos 40 anos. No relato, ele revisita memórias da infância em Salvador, reconhece que a julgou de forma injusta por muitos anos e conecta essa dor à sua trajetória pessoal e artística.
O interesse em torno de Lázaro não vem só da força do depoimento. O artista vive um momento de grande exposição, com trabalhos simultâneos na TV, no cinema e no streaming. Ele está no ar como Jendal, seu primeiro vilão na televisão, na novela A Nobreza do Amor; participou do filme Velhos Bandidos; e integra a terceira temporada de Os Outros, que estreia em 9 de abril no Globoplay. Esse conjunto ajuda a explicar por que o nome do ator disparou no Google Trends.
O que Lázaro Ramos contou sobre a mãe?
Na entrevista, Lázaro relembrou a rotina dura da mãe, que trabalhava como empregada doméstica e passava longos períodos fora de casa. Segundo ele, a infância foi marcada por uma convivência fragmentada entre a casa do pai, o convívio com familiares no bairro da Federação, em Salvador, e as visitas à mãe no pequeno quarto onde ela ficava durante os dias de trabalho.
Uma das lembranças mais marcantes citadas pelo ator surgiu em um pesadelo recente, quando ele voltou mentalmente a esse espaço apertado onde via a mãe. A memória reacendeu também um episódio traumático: o dia em que ele presenciou dona Célia levando um tapa no rosto da patroa. Eles se abraçaram naquele momento, mas nunca mais falaram sobre o assunto.
Anos depois, já adulto, Lázaro percebeu que havia reduzido a própria mãe a uma leitura incompleta. Ele afirmou que, por muito tempo, a enxergou com adjetivos como “permissiva”, sem conseguir compreender plenamente a violência estrutural e as limitações impostas à vida dela. A virada de chave veio em 2017, quando, ao entregar o manuscrito de Na Minha Pele, ouviu do editor Luiz Schwarcz que dona Célia ocupava pouco espaço no livro. A observação o fez rever a forma como contava sua própria história.
Por que esse relato toca tanta gente no Brasil?
O depoimento de Lázaro ressoa porque fala de temas muito brasileiros: trabalho doméstico, desigualdade racial, silêncios familiares e o peso da sobrevivência. Ao narrar a experiência da mãe, o ator também ilumina uma realidade historicamente naturalizada no país, em que mulheres negras sustentaram famílias inteiras enquanto enfrentavam jornadas exaustivas, humilhações e pouca proteção social.
Na entrevista, ele resume essa percepção com uma frase poderosa: recusou, ao longo da carreira, papéis racistas que esvaziavam a humanidade de personagens negros. E entendeu que, sem querer, havia feito algo parecido com a própria mãe ao não contar sua história por inteiro.
Esse ponto tem impacto especial para leitores LGBTQ+ porque a comunidade conhece, muitas vezes na pele, o que significa ter a própria trajetória simplificada ou apagada. Quando Lázaro defende que ninguém deve ser reduzido à função que exerce ou ao estereótipo que carrega, ele toca numa discussão cara também a pessoas LGBT+, sobretudo negras, periféricas e dissidentes de gênero e sexualidade: o direito à complexidade.
Como a fase atual da carreira amplia a repercussão?
Além do teor emocional da entrevista, Lázaro Ramos vive uma fase de grande visibilidade. Ele interpreta pela primeira vez um antagonista na TV aberta, retorna ao cinema em produções de destaque e também aparece ligado a um projeto com temática queer. Em fevereiro, ele esteve em Berlim com o filme Feito Pipa, no qual vive o pai de Gugu, um garoto queer no agreste pernambucano.
Esse detalhe ajuda a ampliar o interesse do público que acompanha representações mais diversas no audiovisual brasileiro. Embora a entrevista da GQ seja centrada em sua história familiar, a presença de Lázaro em obras que dialogam com masculinidades, afetos e experiências fora do padrão também reforça sua relevância cultural neste momento.
Outro trecho que chamou atenção foi a revelação de que, depois de se tornar ator, ele comprou o imóvel onde a mãe trabalhava durante a semana. Segundo o relato, o gesto misturava senso de justiça e uma espécie de acerto íntimo com o passado. Ao final, ele reconhece que grande parte de sua caminhada foi movida pelo desejo de fazê-la sorrir e sentir orgulho.
Na avaliação da redação do A Capa, o relato de Lázaro Ramos ganha força porque não se limita à memória pessoal: ele expõe como racismo, classe e afeto se cruzam no Brasil real. Quando um artista negro de projeção nacional revisita a história da mãe com mais empatia e menos julgamento, ele contribui para um debate urgente sobre reparação simbólica, dignidade e humanidade — temas que também atravessam a vida de muitas famílias LGBTQ+ brasileiras.
Perguntas Frequentes
Por que Lázaro Ramos está em alta no Google?
Porque uma entrevista publicada em 6 de abril trouxe um relato forte sobre sua mãe, ao mesmo tempo em que o ator vive uma fase de destaque na TV, no cinema e no streaming.
O que Lázaro Ramos disse sobre a mãe?
Ele afirmou que por muitos anos a enxergou de forma injusta, sem compreender totalmente a violência e as dificuldades que ela enfrentava como trabalhadora doméstica.
Lázaro Ramos está em algum projeto com temática queer?
Sim. Segundo a entrevista, ele participou do filme Feito Pipa, no qual interpreta o pai de um garoto queer no agreste pernambucano.
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