Com leis anti-LGBTQ+ rígidas na Rússia, refugiados encontram acolhida e liberdade no país europeu
Em meio à crescente repressão contra a comunidade LGBTQ+ na Rússia, muitos russos LGBTQ+ estão encontrando um novo lar e esperança na Espanha. A partir de 2023, o número de pedidos de asilo de russos mais que dobrou, atingindo 1.694 solicitações, segundo a Comissão Espanhola para Refugiados (CEAR). Essa ascensão reflete o impacto das duras políticas implementadas pelo governo de Vladimir Putin, que usa a população LGBTQ+ como bode expiatório e intensificou as leis contra a ‘propaganda’ LGBTQ+.
Fuga da repressão e busca por liberdade
Diana, uma jovem bissexual russa, lembra com emoção sua primeira participação na Parada do Orgulho LGBTQ+ de Madrid. Lá, ela viu centenas de pessoas agitando a bandeira branca-azul-branca, símbolo da oposição russa contra a guerra na Ucrânia, e entoando o grito “Rússia sem Putin”. Para ela, que fugiu da perseguição após ser demitida por beijar sua parceira, o momento representou um respiro de liberdade e segurança.
Ilia Andreev, ex-jornalista de TV em Kazan, também encontrou na Espanha um espaço para ser quem é. Acusado de ‘propaganda LGBTQ+’ por usar brincos no trabalho, ele optou por buscar refúgio em Madrid, onde hoje participa ativamente de grupos de defesa dos direitos LGBTQ+ enquanto aprende espanhol e planeja retomar sua carreira.
A dura realidade das leis russas contra LGBTQ+
Desde 2013, a Rússia proíbe qualquer divulgação de “relações sexuais não tradicionais” para menores, mas após o início da invasão à Ucrânia, essa restrição foi ampliada para todas as idades, intensificando a perseguição. Jornalistas, ativistas e cidadãos comuns enfrentam prisões e ameaças, levando muitos a buscar refúgio no exterior.
Marc Marginedas, especialista em assuntos russos, compara a propaganda estatal a um clima de perseguição semelhante ao da Alemanha nazista, onde o medo e a hostilidade são usados para desviar a atenção dos fracassos militares de Putin.
Desafios no processo de asilo e acolhimento na Espanha
Apesar da Espanha ser reconhecida por seu respeito aos direitos humanos e estar entre os países europeus mais avançados em políticas LGBTQ+, o caminho para o asilo nem sempre é fácil. O processo oficial, que deveria durar seis meses, pode se estender por até dois anos, com atrasos que dificultam o acesso a empregos e serviços essenciais.
Além disso, a recente exigência de visto de trânsito para cidadãos russos complicou a chegada segura ao país, eliminando rotas legais usadas para buscar proteção. Organizações alertam para o crescimento de um mercado ilegal de venda de agendamentos para entrevistas de imigração, explorando a vulnerabilidade dos solicitantes.
Construindo novas histórias de resistência e amor
Enquanto aguardam suas decisões, Diana e Ilia têm conseguido reconstruir suas vidas. Diana trabalha remotamente e encontrou na rede de apoio da comunidade LGBTQ+ russa em Madrid uma verdadeira família escolhida. Já Ilia, apesar das dificuldades para formar novas conexões, se envolve em ativismo local e sonha em voltar ao jornalismo.
Para eles, a vida na Espanha representa mais do que segurança física: é a liberdade de amar e existir sem medo. “Posso namorar quem quiser, sem pressa, vivendo o estilo de vida espanhol, que traz leveza”, diz Diana, simbolizando o renascimento de uma comunidade que resiste e floresce apesar da opressão.
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