Com participações icônicas e narrativa ballroom, drag reafirma o poder do funk como voz da comunidade
Em um marco emocionante para a cultura pop brasileira e a cena LGBTQIA+, Lia Clark lançou seu quarto álbum de estúdio, Fenomenal, dando início a uma nova era em sua carreira e celebrando seus dez anos como uma das maiores vozes do funk eletrônico voltado para o público LGBTQIA+. Com 33 anos, a drag paulista mostra maturidade artística, unindo referências do movimento ballroom com a potência do funk periférico que tanto representa.
Uma ponte entre o ballroom e o funk
Logo na abertura do disco, as narrações de Kevin JZ Prodigy e Kona Zion — nomes fundamentais do ballroom mundial e brasileiro — trazem um tom grandioso e simbólico, sinalizando o encontro entre essas duas culturas que dialogam profundamente. Lia conta que esse enlace não é casual: “Estar próximo das balls me ajudou a entender como a cultura do funk no Brasil se conecta com a resistência e a expressão queer do ballroom”.
Ao assumir seu lugar como a primeira drag queen do funk, Lia constrói um discurso político e artístico poderoso. Para ela, ter ícones do ballroom em seu álbum é um marco: “Ter a Kevin, que já trabalhou com Beyoncé e Madonna, e a Kona, uma pioneira do ballroom no Brasil, abrindo meu disco é realmente fenomenal”.
Funk eletrônico, diversidade e resistência
Fenomenal não é apenas uma celebração, mas também um projeto coeso e dançante que aposta na versatilidade do funk eletrônico. Com parcerias como MC Carol, Johnny Hooker, MC Mari, MC GW e MC Tha, Lia mergulha em diferentes vertentes do gênero, mostrando que o funk é uma potência mundial em constante transformação.
A escolha do funk eletrônico reflete seu desejo de explorar universos distintos e manter um álbum pop, porém politizado e diverso. “Quis navegar nas múltiplas vertentes do funk, trazendo letras e produções variadas, mas mantendo uma identidade forte”, explica a artista.
Sexualidade e representatividade no centro do palco
Para Lia Clark, o funk é um dos poucos gêneros musicais que aborda a sexualidade de forma aberta e libertadora, quebrando tabus que ainda persistem na sociedade conservadora. “O funk permite que a gente fale de sexo sem vergonha, de forma explícita, mostrando que a sexualidade é parte da vida e deve ser celebrada”, afirma.
Essa liberdade artística também se traduz na representatividade que Lia oferece à comunidade LGBTQIA+. Ela celebra o surgimento de novos artistas queer no funk, ressaltando que, quando começou em 2016, esse espaço era praticamente inexistente. “É emocionante saber que inspirei uma geração que hoje ocupa esses espaços com orgulho e autenticidade”.
Pioneirismo e resistência de uma drag queen no funk
Ao completar quase uma década de carreira, Lia reflete sobre sua trajetória em um cenário historicamente masculino e heteronormativo. “Ser a primeira drag queen no funk é ocupar um espaço marginalizado, mas resistir e construir uma carreira sólida me enche de orgulho”, conta.
Ela destaca a importância social e política de sua presença no gênero: “A resistência é diária, e saber que criei e continuo criando um caminho para outras pessoas queer no funk é o que me motiva”.
Lia Clark não apenas celebra sua trajetória com ‘Fenomenal’, mas reafirma a potência do funk eletrônico como ferramenta de empoderamento e visibilidade LGBTQIA+. Seu trabalho é um lembrete vibrante de que a arte periférica e queer pode transformar narrativas e abrir caminhos para novas vozes. Em um país ainda marcado pelo preconceito, Lia segue como um farol de resistência, alegria e orgulho para a comunidade.
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