Espaço cultural enfrenta perseguição e multas por promover literatura LGBTQIA+ em meio a repressão na Rússia
Em meio a uma crescente onda de censura na Rússia, a famosa livraria independente Podpisnye Izdaniya, localizada em São Petersburgo, voltou a ser alvo de uma acusação por “propaganda LGBT”. Essa é a segunda vez que o estabelecimento enfrenta processos relacionados à promoção de livros com temática LGBTQIA+, refletindo o ambiente hostil para conteúdos que celebram a diversidade e os direitos da comunidade no país.
O caso, que será julgado em uma audiência marcada para uma quarta-feira, ocorre apenas alguns meses após a livraria ter sido multada em 800 mil rublos (aproximadamente 8.700 euros). Na ocasião, a condenação se deu pela venda de obras consideradas pelo governo russo como material que promovia “propaganda LGBT”.
Repressão cultural e perseguição à diversidade
Em abril, as autoridades realizaram uma ação de apreensão que resultou na retirada de dezenas de livros com temas LGBT e feministas das prateleiras da Podpisnye Izdaniya. A denúncia partiu de membros da população local, que alertaram a polícia para a presença desses títulos, considerados ilegais pelas restrições impostas no país.
Além disso, a livraria recebeu uma lista com 48 publicações que deveriam ser removidas imediatamente, incluindo obras de autores renomados como a escritora estadunidense Susan Sontag. O ambiente cultural, que sempre foi um espaço seguro para a comunidade LGBTQIA+ e seus aliados, está cada vez mais ameaçado pelas políticas repressivas.
Perseguição aos profissionais da cultura
A gerente da livraria, Yelena Orlova, também sofreu consequências diretas dessa perseguição. Ela foi acusada de colaborar com uma organização considerada “indesejável” pelo Ministério da Justiça da Rússia, devido à venda do livro On the Way to Magadan, escrito pelo anarquista bielorrusso Ihar Alinevich. O livro foi publicado com o apoio da Anarchist Black Cross, grupo que está na mira do governo desde o início de 2024.
Orlova recebeu uma multa de 20 mil rublos (cerca de 220 euros), e a situação da livraria ficou simbólica para a luta contra o silenciamento da diversidade cultural e política no país.
Contexto da repressão contra o movimento LGBTQIA+ na Rússia
Fundada em 1926, a Podpisnye Izdaniya sempre foi um polo cultural e um espaço de resistência, promovendo eventos, lançamentos e discussões que celebram a pluralidade de vozes e identidades. Contudo, o atual cenário político russo tem dificultado cada vez mais a atuação de espaços que se posicionam em defesa dos direitos LGBTQIA+.
Desde abril, uma série de livrarias e editoras independentes enfrentam investigações semelhantes. Em Moscou, a livraria Falanster também foi notificada por supostamente divulgar “propaganda LGBT”, e diversos profissionais do setor editorial foram detidos em operações policiais que visam controlar e censurar o conteúdo cultural.
Essa repressão traz um impacto direto para a comunidade LGBTQIA+, que vê seus espaços de expressão e acesso a informação serem ameaçados e inviabilizados. Em um contexto onde a representatividade é vital para o fortalecimento e a visibilidade, a perseguição a livrarias como a Podpisnye Izdaniya representa um ataque direto à existência e à luta por direitos.
Solidariedade e resistência
Apesar das dificuldades, a resistência cultural e política segue ativa. A Podpisnye Izdaniya permanece como um símbolo de coragem para a comunidade LGBTQIA+ russa e para todos que defendem a liberdade de expressão. A atenção internacional e o apoio mútuo entre grupos de direitos humanos são fundamentais para enfrentar essa onda de repressão.
O caso da livraria em São Petersburgo é um lembrete urgente da importância de proteger e valorizar espaços que promovem a diversidade, especialmente em ambientes hostis, onde a identidade e a expressão LGBTQIA+ são criminalizadas.
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