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Livro ‘Sold’ lidera lista de obras mais banidas em bibliotecas dos EUA

Cresce o número de livros desafiados por temas LGBTQIA+ e violência em campanhas coordenadas
Livro 'Sold' lidera lista de obras mais banidas em bibliotecas dos EUA

Cresce o número de livros desafiados por temas LGBTQIA+ e violência em campanhas coordenadas

O cenário das bibliotecas nos Estados Unidos segue alarmante para a diversidade literária: o livro Sold, de Patricia McCormick, que aborda o tráfico sexual na Índia, foi o título mais banido e desafiado em 2025, segundo o relatório anual da American Library Association (ALA). A pesquisa revela que as tentativas de censura a livros permanecem em níveis recordes, com esforços cada vez mais coordenados e politizados para retirar obras que abordam temas LGBTQIA+, violência sexual, uso de substâncias e outras questões sensíveis.

O avanço da censura e seus alvos

Além de Sold, outras obras que enfrentaram resistência incluem The Perks of Being a Wallflower, de Stephen Chbosky, um romance sobre a experiência adolescente; Gender Queer, a autobiografia gráfica de Maia Kobabe que trata da identidade não binária e da experiência trans; e Empire of Storms, da autora Sarah J. Maas, um sucesso do gênero romantasy. O relatório da ALA listou 11 livros mais desafiados, com temas que vão desde distopias clássicas, como A Clockwork Orange, até narrativas paranormais e dramas familiares.

Os motivos para a censura são diversos, mas destacam-se a oposição a temáticas LGBTQIA+ (como em Gender Queer e The Perks of Being a Wallflower), o desconforto com representações de violência sexual (Sold e A Clockwork Orange) e a crítica ao uso de álcool e tabaco em obras juvenis (Looking for Alaska, de John Green).

Uma campanha política e coordenada

De acordo com a ALA, o número de desafios a livros em bibliotecas atingiu 4.235 obras em 2025, quase igualando o recorde de 2023. A censura, antes impulsionada por pais ou membros locais da comunidade, agora é orquestrada por agentes governamentais e grupos conservadores organizados, como o Moms for Liberty, que defendem o controle parental rígido sobre o que crianças e adolescentes podem acessar em escolas e bibliotecas.

Estados como Flórida, Texas e Utah lideram a adoção de leis restritivas que impedem a circulação de obras com temas LGBTQIA+ ou que discutam questões de gênero e sexualidade. Recentemente, um tribunal de apelação em Iowa confirmou a validade de uma lei que limita conversas de professores sobre LGBTQIA+ para alunos do jardim de infância até o sexto ano, além de proibir certos livros.

Sarah Lamdan, diretora executiva do Escritório de Liberdade Intelectual da ALA, ressalta que a censura não é mais uma iniciativa local espontânea, mas parte de uma campanha política e financiada nacionalmente, que divulga listas de livros para remoção em massa. As remoções de livros superaram 5.600 casos, mostrando o impacto real dessa articulação.

O papel das bibliotecas e a resistência cultural

Em meio a essa conjuntura, a presidente da ALA, Sam Helmick, reforça que as bibliotecas devem ser espaços inclusivos, que acolhem todas as histórias e experiências vividas. “As bibliotecas são lugares para o conhecimento, para o acesso, e para todas as pessoas”, afirmou durante a Semana Nacional da Biblioteca.

Para a comunidade LGBTQIA+, o cerceamento dessas narrativas representa um ataque direto à visibilidade, à educação e ao direito à identidade. A censura de obras como Gender Queer e The Perks of Being a Wallflower não apenas limita o acesso a informações essenciais, mas também nega a existência e a experiência de jovens que buscam compreender a si mesmos.

É fundamental compreender que a luta contra a censura literária é também uma luta por reconhecimento e respeito. Em tempos de polarização e retrocessos, a resistência cultural se fortalece nas bibliotecas, nas escolas e na própria comunidade LGBTQIA+, que continua a reivindicar seu espaço no imaginário coletivo.

Ao observar o aumento expressivo das tentativas de banimento, fica claro que a censura não é apenas uma questão de livros, mas um reflexo das tensões sociais e políticas que afetam diretamente a liberdade de expressão e o direito de existir com dignidade. A defesa da diversidade literária é, portanto, uma defesa da pluralidade humana, essencial para uma sociedade mais justa e acolhedora.

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