Celebridades se unem em carta contra centros que mantêm crianças migrantes presas em Texas
Um grupo de celebridades de Hollywood, incluindo Madonna, Jane Fonda, Javier Bardem e Pedro Pascal, lançou uma carta pública exigindo o encerramento do Centro de Processamento de Imigração de Dilley, no Texas, onde o ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA) mantém detidas crianças e suas famílias.
A carta, que já conta com mais de 4 mil assinaturas verificadas, denuncia as condições traumáticas e degradantes enfrentadas por esses menores, ressaltando que “nenhuma criança deveria estar confinada em um centro de detenção de imigrantes”. Os artistas também direcionam o apelo ao operador privado CoreCivic, responsável pela administração do local.
Traumas e violações de direitos humanos
Segundo o documento, os menores presos nesses centros sofrem abandono, traumas profundos e condições que violam normas básicas de saúde, segurança e dignidade. Entre os signatários da carta estão nomes como John Legend, Billy Porter, Keke Palmer e Susan Sarandon, que se juntam para dar voz a essa causa urgente.
O centro de Dilley ganhou destaque internacional após casos como o de Liam Conejo Ramos, uma criança de 5 anos enviada para lá após ser detida junto ao pai em Minneapolis. Reportagens revelaram que cerca de 3.500 pessoas, mais da metade crianças, foram detidas no local, com muitos menores ficando mais tempo que o permitido por lei – o Acuerdo Flores limita a detenção infantil a 20 dias, mas alguns ficaram mais de um mês.
Aumento da detenção infantil nos EUA
A detenção de crianças migrantes tem crescido expressivamente nos Estados Unidos durante o atual governo. Dados do Deportation Data Project indicam que, entre janeiro e outubro de 2026, a média mensal de menores detidos foi de 170, um aumento considerável em comparação aos últimos meses da administração anterior, quando a média era de 25.
Essa escalada evidencia uma crise humanitária que mobiliza artistas, ativistas e comunidades, chamando atenção para a urgência de políticas que priorizem o respeito e a proteção dos direitos das crianças migrantes.
O fechamento do centro de detenção infantil do ICE em Dilley não é apenas um pedido político, mas um clamor por humanidade e justiça. Para a comunidade LGBTQIA+, que historicamente luta contra sistemas opressores e pela proteção dos direitos humanos, essa mobilização representa também uma solidariedade com as crianças e famílias que enfrentam violência institucional.
Essa pressão cultural e social, impulsionada por figuras públicas que usam sua visibilidade para denunciar abusos, fortalece o movimento por um mundo mais inclusivo e acolhedor. A luta contra a detenção infantil é um lembrete de que o ativismo interseccional é fundamental para garantir direitos iguais e combater todas as formas de discriminação e exclusão.