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Mairto – Espetáculo de dança discute a violência contra homoafetivos na cultura do macho

Espetáculo “Mairto” será apresentado de 11 a 20 de fevereiro na SP Escola de Teatro

“Mairto” nasceu a partir da leitura de uma notícia de jornal sobre o assassinato de um homossexual.

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A notícia se desdobrou em cenas de dança que remetem aos eventos de boxe e MMA. As cenas, divididas como se fossem rounds de uma luta, são jogos dança que dialogam com a poesia propondo diversas leituras e interpretações do crime.
"Mairto” é o primeiro resultado do Projeto Rosa Azul, que ocupou papel central nos processos de pesquisa do Caleidos Cia durante todo o ano de 2014. O foco de Rosa Azul é a questão da violência na cultura do macho e os espetáculos ligados a esse projeto tematizam os principais alvos dessa violência: homossexuais, mulheres e crianças.
“Sobretudo, o objeto da violência na cultura do macho são os afetos, a sensibilidade, a compaixão e os sentimentos de solidariedade. Os portadores desses afetos são as vítimas – mulheres, crianças, homoafetivos, homens menos agressivos – mas a cultura do macho se projeta especificamente contra os afetos, são eles que ofendem o verdadeiro e perigoso macho” – explica o poeta Fábio Brazil que assina a dramaturgia do espetáculo.
A partir da leitura da notícia, foram construídos os poemas que são declamados durante as cenas. “Não seria nem possível, nem desejável mergulhar nessa dramaturgia a partir de uma perspectiva narrativa, para isso já temos a notícia do jornal. Foi preciso pensar nas relações entre os algozes e a vítima, entender os jogos de poder ali estabelecidos e transformá-los em jogos de dança, jogos baseados na linguagem da dança; daí nasceu a dança que se vê em cena”, relata Isabel Marques, que assina a direção de “Mairto”.
Como em outros espetáculos do Caleidos Cia de Dança, “Mairto” se instala na interface entre a poesia e a dança. Poemas são declamados ao vivo, dialogando com a música e as cenas de dança que se constroem ao vivo a partir dos jogos de improvisação. A encenação geral remete às lutas esportivas – boxe e MMA – aos eventos que fazem da violência um entretenimento e um esporte.
“Foi uma escolha focada na plasticidade, dramaticidade e corporeidade envolvidas nesses eventos, além disso, a relação deles com a cultura do macho é inequívoca, e isso pode convidar o público a participar e refletir sobre a questão da violência contra os afetos na cultura do macho” explica Isabel Marques.
Para mais informações sobre o espetáculo clique AQUI

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  1. Macho não tem que ser ogro. Muito homem gay prefere se “afeminar” a ter postura de homem “normal” pra não se enquadrar no estereótipo do Macho agressivo. Gay também pode ser macho, sem ser ogro.

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