Estudo revela que violência e tentativas de conversão vêm do círculo mais próximo, impactando profundamente a comunidade LGBTQIA+
Um levantamento pioneiro realizado na Sérvia revelou uma realidade preocupante para as pessoas LGBTQIA+: mais de 86% das pessoas dessa comunidade já sofreram algum tipo de pressão para mudar ou esconder sua identidade de gênero ou orientação sexual.
Dina Bajrektarević, pesquisadora do coletivo MANA, explicou que essas chamadas práticas de conversão ocorrem principalmente dentro dos círculos familiares, escolares ou entre amigos próximos, grupos que deveriam ser fonte de acolhimento, mas que infelizmente muitas vezes impõem violência emocional e física. Essas tentativas de “corrigir” a identidade LGBTQIA+ incluem desde conversas coercitivas até rituais religiosos como exorcismos.
Violência invisível e normalizada
A pesquisadora destacou que esse tipo de violência é difícil de identificar e combater porque acontece em uma “zona cinzenta” — dentro do núcleo íntimo, onde o afeto se mistura à opressão. “Pressionar alguém a conversar com um padre ou um psiquiatra para tentar ‘mudar’ sua orientação é um processo contínuo de negação da identidade”, disse Bajrektarević.
Dos 206 participantes da pesquisa, 57,3% relataram receber exigências constantes para se encaixar em normas heteronormativas, 46,6% ouviram que sua identidade é um pecado, e 45,6% foram ensinados a esconder quem são para evitar punição ou rejeição.
Impunidade e ausência de proteção legal
A advogada Marjana Majstorović reforçou que as práticas de conversão deveriam ser criminalizadas, mas atualmente não há legislação específica para isso na Sérvia, apenas um projeto de lei em discussão desde 2021. Ela compartilhou o caso de uma cliente que sofreu violência severa da família e de um clérigo, sem conseguir proteção eficaz das autoridades.
Majstorović enfatizou que os grupos mais vulneráveis são jovens entre 14 e 23 anos, que estão sob forte pressão familiar e sem acesso adequado a redes de apoio. Embora a legislação proíba discriminação, as vítimas geralmente não encontram recursos legais eficientes para reparar os danos causados por esse tipo de violência.
Este estudo traz à luz uma realidade dolorosa: a violência contra pessoas LGBTQIA+ não está apenas nas ruas, mas dentro dos lares e entre aqueles que deveriam amar e proteger. Reconhecer e enfrentar essas práticas é fundamental para garantir dignidade e segurança a todas as pessoas.
Para a comunidade LGBTQIA+, a visibilidade dessas violências ocultas representa um passo importante para a construção de espaços seguros e acolhedores. É urgente que a sociedade e o sistema jurídico se mobilizem para proteger identidades e celebrar a diversidade, combatendo não apenas o preconceito explícito, mas também as microviolências que corroem a autoestima e o direito de ser quem se é.
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