Milhares se unem em São Francisco para a maior marcha trans da cidade, reafirmando orgulho e luta contra ataques aos direitos trans
Em uma noite vibrante e carregada de significado, milhares de pessoas tomaram as ruas de São Francisco para a tradicional Marcha Trans, o maior evento de orgulho trans da cidade. A caminhada, que começou no icônico Dolores Park e seguiu até o bairro Tenderloin, reuniu uma multidão diversa, com jovens, crianças, adultos e idosos celebrando a existência trans, a diversidade e a luta por direitos em meio a um cenário nacional de ataques e retrocessos.
A Marcha Trans: uma celebração e um protesto
O clima da marcha mesclou emoção e resistência. Apesar do tom festivo, a urgência da luta trans estava presente no ar. Representantes da comunidade destacaram que o evento é uma das manifestações mais importantes do calendário LGBTQIA+ da cidade, um momento para reafirmar identidade, fortalecer laços comunitários e resistir contra legislações que tentam apagar a existência trans.
Jeremy Gottlieb, participante da marcha, afirmou que a Trans March é sua parte favorita do Pride porque se sente como um protesto e uma construção de comunidade ao mesmo tempo. “Isso a torna realmente especial”, disse ele, destacando a força do encontro.
Resistência diante dos ataques
Este ano, a marcha ganhou ainda mais importância diante das medidas políticas que ameaçam os direitos trans nos Estados Unidos. Entre elas, a imposição de restrições a atletas trans em escolas públicas e a tentativa de limitar acesso a cuidados de saúde e reconhecimento legal. Para os que marcharam, a existência trans não é uma questão política, mas um direito inalienável.
Lucas S., outro participante, falou sobre a história ancestral das identidades trans e não-binárias, lembrando que a comunidade sempre existiu e continuará resistindo, independentemente das tentativas de exclusão.
Do passado ao presente: memória e luta
O percurso da marcha contou com uma parada simbólica no Transgender District, no Tenderloin, local do histórico motim do Compton’s Cafeteria em 1966, onde pessoas trans e drag queens resistiram à repressão policial. A conexão com essa memória fortalece a mensagem de que a luta trans é contínua e essencial para a construção de uma sociedade mais justa.
Jean Vila, pesquisadora da Universidade de Stanford, destacou a importância da presença física em eventos como este para fortalecer os laços de solidariedade, ampliar recursos comunitários e resistir às ameaças nacionais.
O poder da comunidade e da alegria queer
Além da resistência, a marcha foi um espaço de pura alegria queer, com fantasias criativas, música, dança e manifestações de amor e cuidado entre os participantes. Slogans como “Deus é trans” e “Amar uma pessoa trans é a coisa mais fácil que já fiz” ecoaram pelas ruas, celebrando a beleza e a autenticidade da comunidade.
Jessica Bryan, mulher trans de Oakland, resumiu bem o sentimento: “É uma multidão de pessoas que o governo tenta tornar ilegais, reunidas para dizer ‘governo, vá se f—’.” Para ela, a Marcha Trans é um momento anual imperdível para estar junto de tantas pessoas trans e queer em um só lugar.
Com mais de 10 mil pessoas nas ruas, a Marcha Trans em São Francisco é mais que uma celebração: é um poderoso ato político, um abraço coletivo e um grito de resistência que fortalece toda a comunidade LGBTQIA+ para continuar avançando com orgulho e coragem.
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