País entrou nos assuntos do momento após Rabat assumir o posto da Unesco em 2026. Saiba por que o tema repercute no Brasil.
Marrocos virou assunto entre brasileiros nos últimos dias por causa de Rabat, que recebeu em 23 de abril de 2026 o título de Capital Mundial do Livro da Unesco, sucedendo o Rio de Janeiro. A passagem simbólica entre as duas cidades, destacada em artigo assinado pelas ministras Margareth Menezes e Mohammed Mehdi Bensaid, recolocou no centro do debate o papel da leitura como política pública de futuro.
O interesse cresce porque o tema conecta Brasil e Marrocos em uma agenda cultural concreta. Depois de o Rio se tornar, em 2025, a primeira cidade lusófona a receber a distinção da Unesco, Rabat assume o posto levando adiante uma proposta que une livro, juventude, espaço público e economia criativa. Em um cenário de consumo acelerado de conteúdo digital, a defesa da leitura como experiência de profundidade e emancipação social ganhou força — e explica por que o país africano aparece em alta nas buscas.
Por que Marrocos está em alta no Brasil?
A repercussão acontece porque a transição entre Rio e Rabat não foi tratada apenas como cerimônia diplomática. No texto publicado por O GLOBO, os autores argumentam que livro e leitura seguem sendo ferramentas de coesão social, especialmente em países com populações jovens, conectadas e abertas ao mundo, como Brasil e Marrocos.
Segundo o artigo, 26 cidades já receberam o título de Capital Mundial do Livro desde Madri, em 2001. O Rio entrou para a história do programa em 2025, e agora Rabat dá continuidade ao legado com sua posição de capital africana e árabe marcada por longa tradição de transmissão do conhecimento.
A comparação também ajuda a explicar o interesse brasileiro. No Rio, a Bienal do Livro 2025, reformulada como Parque do Livro, recebeu 740 mil visitantes e vendeu 6,8 milhões de exemplares, além de ampliar ações educativas em bairros periféricos. Já em Rabat, a programação inclui iniciativas como a Qra Twsel, que levará livros aos bondes da cidade, e um calendário de 342 atividades em hospitais pediátricos, centros de reinserção e prisões.
O que Rabat prepara como Capital Mundial do Livro?
Rabat pretende ocupar a cidade com literatura. Entre as ações citadas estão a Grande Leitura de Rabat, realizada mensalmente no Parque Hassan II, e um café literário semanal no cinema Renaissance. A proposta é simples e potente: tirar o livro do lugar de obrigação escolar e recolocá-lo como experiência desejável, cotidiana e acessível.
O texto também destaca o SIEL, uma das principais feiras do livro da África, que reafirma Rabat como espaço de diálogo entre autores de mais de 60 países. Isso posiciona o Marrocos não só como destino turístico ou potência regional em ascensão, mas como polo cultural relevante em um mundo cada vez mais fragmentado.
Há ainda um dado econômico importante. De acordo com o artigo, as indústrias culturais e criativas representam 2,4% do PIB do Marrocos e 3% do PIB brasileiro. Em ambos os países, o setor aparece como um dos mais inclusivos e promissores para a juventude, envolvendo autores, editoras, tradutores, livreiros e mediadores culturais.
Qual é o impacto desse debate para a comunidade LGBTQ+?
Quando se fala em leitura como política pública, a conversa interessa diretamente à comunidade LGBTQ+. Bibliotecas, feiras, clubes de leitura e circuitos literários costumam funcionar como espaços de acesso a repertório, identidade e pertencimento — especialmente para jovens que nem sempre encontram acolhimento em casa, na escola ou em ambientes religiosos.
No Brasil, ampliar o acesso ao livro e valorizar a diversidade cultural significa também abrir mais espaço para autores LGBTQ+, narrativas dissidentes e histórias que rompem silêncios históricos. Embora o artigo-base não trate especificamente da pauta queer, a defesa da leitura como ferramenta de emancipação conversa de forma evidente com o direito de existir, se reconhecer e imaginar outros futuros.
O novo Plano Nacional do Livro e Leitura 2026-2036, citado no texto, prevê renovação de bibliotecas, ampliação do acesso ao livro e valorização da diversidade cultural brasileira. Na prática, isso pode fortalecer políticas que contemplem acervos mais pluralistas e menos excludentes — um ponto especialmente sensível para leitores LGBT+.
Na avaliação da redação do A Capa, o interesse por Marrocos vai além da curiosidade geográfica do momento. O que chama atenção é a ideia de que cultura, leitura e circulação de conhecimento continuam sendo estratégias reais de inclusão. Em tempos de desinformação e ataques à diversidade, tratar o livro como política de futuro é também defender cidadania, memória e imaginação social.
Perguntas Frequentes
Por que Marrocos apareceu nas tendências do Google?
Porque Rabat assumiu em 2026 o título de Capital Mundial do Livro da Unesco, sucedendo o Rio de Janeiro, o que gerou repercussão cultural e diplomática no Brasil.
O que é a Capital Mundial do Livro da Unesco?
É um título concedido anualmente pela Unesco a uma cidade que se compromete com ações de incentivo à leitura, ao livro e à cadeia cultural ligada à literatura.
Qual a relação entre Rio de Janeiro e Rabat?
O Rio foi a Capital Mundial do Livro em 2025 e passou o título para Rabat em 23 de abril de 2026, criando uma ponte simbólica entre Brasil e Marrocos em torno da leitura.
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