Movilh inclui nome de René Márquez no Memorial em Santiago, reforçando combate à violência LGBTQIA+ no Chile
Em um ato carregado de emoção e significado, o Movimento de Integração e Libertação Homossexual (Movilh) instalou o nome de René Márquez Arismendi no Memorial da Diversidade, localizado no Cemitério Geral de Santiago, Chile. A homenagem acontece no marco dos 14 anos do falecimento de Daniel Zamudio, símbolo da luta contra a violência homofóbica no país, e destaca o caso de René, assassinado em Punta Arenas em 2024, cujo crime foi reconhecido judicialmente como motivado por homofobia.
Durante a cerimônia, ativistas do Movilh prestaram homenagem às 70 pessoas vítimas de crimes motivados por orientação sexual ou identidade de gênero no Chile, depositando uma flor para cada uma delas e exibindo a bandeira LGBTQIA+ no memorial. A inclusão do nome de René Márquez no espaço é um reconhecimento tardio, porém fundamental, do impacto brutal da violência homofóbica que ainda assola o país.
O caso René Márquez e a luta por justiça
O assassinato de René Márquez, ocorrido em 20 de abril de 2024, gerou comoção e mobilização na região de Punta Arenas, cidade no extremo sul do Chile. Em outubro de 2025, o Tribunal de Júri da cidade qualificou o crime como homofóbico, condenando o responsável à prisão perpétua. Essa decisão é um marco importante para o reconhecimento judicial da violência contra pessoas LGBTQIA+ na região.
Porém, apesar dessa vitória parcial, a violência contra a diversidade sexual continua crescendo no Chile. Segundo o XXIV Informe Anual dos Direitos Humanos da Diversidade Sexual e de Gênero, divulgado recentemente, houve um aumento de 27,1% nos casos de discriminação no último ano. Esse dado alarmante reforça a urgência de políticas públicas eficazes para proteger e garantir os direitos da população LGBTQIA+.
Reforma da Lei Zamudio: um passo urgente
Durante o evento, a porta-voz do Movilh, Javiera Zúñiga, destacou a necessidade imperativa de avançar na reforma da Lei Zamudio, que visa coibir a discriminação e os crimes de ódio contra a comunidade LGBTQIA+. Apesar de ter iniciado sua tramitação em 2019, a reforma está atualmente parada em comissão mista no Congresso chileno.
Zúñiga enfatizou que a lei, em sua forma atual, é pouco aplicada porque não oferece indenizações às vítimas e dificulta a caracterização do agravante de delito discriminatório. O Chile assumiu compromissos perante a ONU e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos para reformar essa legislação, mas a demora na aprovação representa um obstáculo para a proteção efetiva dos direitos humanos da diversidade sexual.
Memorial como símbolo de resistência e memória
O Memorial da Diversidade no Cemitério Geral de Santiago emerge como um espaço de memória, resistência e conscientização, lembrando as vidas perdidas para o preconceito e a violência. A inclusão do nome de René Márquez no memorial traz visibilidade a uma vítima do extremo sul do país, reforçando que a luta contra a homofobia e a transfobia é nacional e urgente.
Esse ato simbólico também convida a sociedade a refletir sobre o impacto das agressões motivadas por ódio e a importância de construir um Chile mais justo, seguro e inclusivo para todas as pessoas, independentemente de sua orientação sexual ou identidade de gênero.
Ao reconhecer publicamente as vítimas como René Márquez, reafirmamos o compromisso coletivo de não esquecer nem silenciar as histórias que a violência tentou apagar. O memorial não é apenas um lugar de dor, mas um farol de esperança e transformação social.
O avanço na reforma da Lei Zamudio, a ampliação das políticas de proteção e o fortalecimento das redes de apoio são passos essenciais para que episódios como o que vitimou René não se repitam. A comunidade LGBTQIA+ do Chile e do mundo precisa sentir que sua existência é respeitada e celebrada, não ameaçada ou apagada.
Para a comunidade LGBTQIA+, o reconhecimento de vítimas como René Márquez no Memorial da Diversidade representa mais do que justiça: é um ato de amor e resistência que fortalece a identidade coletiva e inspira a continuidade da luta contra a discriminação. A memória dessas vidas nos impele a agir com coragem e solidariedade para transformar realidades e garantir um futuro mais inclusivo para todas as gerações.
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