Rev. Dr. Cody J. Sanders compartilha caminhos para apoiar e afirmar jovens LGBTQIA+ na fé
O cuidado e a escuta atenta aos jovens LGBTQIA+ vêm ganhando destaque nas práticas ministeriais de igrejas que desejam acolher com amor e justiça. O Rev. Dr. Cody J. Sanders, professor e estudioso com vasta experiência no atendimento a essa comunidade, compartilhou recentemente suas reflexões e orientações no podcast A Matter of Faith: A Presby Podcast, conduzido pelo Rev. Lee Catoe e Simon Doong.
Sanders é autor do livro A Brief Guide to Ministry with LGBTQIA Youth, cuja edição atualizada foi lançada em março pela Westminster John Knox Press. Seu trabalho é um convite para que igrejas, pastores, líderes leigos e agentes pastorais desenvolvam habilidades para cuidar das histórias e necessidades específicas dos jovens LGBTQIA+ e suas famílias.
O impacto do acolhimento público
Em sua trajetória, Sanders recorda a experiência na Old Cambridge Baptist Church, em Harvard Square, onde o simples ato de participar de eventos públicos de Orgulho LGBTQIA+ com mensagens afirmativas como “Vidas LGBTQ são sagradas” e “Vidas trans são lindas” causou forte impacto. Jovens que não frequentavam a igreja se emocionavam ao ver esse apoio, e famílias descobriam que existiam espaços religiosos que os acolhiam.
Esse reconhecimento público é um gesto poderoso, que traduz a afirmação e a justiça buscadas para a comunidade LGBTQIA+ em ambientes tradicionalmente marcados por exclusão. Para muitos jovens, é a prova de que sua identidade é digna e celebrada, um passo vital para o fortalecimento da autoestima e da fé.
Três níveis de cuidado para jovens LGBTQIA+
O Rev. Sanders destaca que o ministério com jovens LGBTQIA+ deve atuar em três frentes:
- Individual: oferecer cuidado pastoral personalizado para jovens e suas famílias, ajudando-os a navegar seus processos de identidade e fé, inclusive apoiando avós e outros familiares que buscam compreender e afirmar seus entes queridos.
- Institucional: ir além da simples afirmação formal, promovendo educação e práticas ministeriais concretas que transformem a igreja em um espaço verdadeiramente inclusivo. Além disso, influenciar outras instituições como escolas e unidades de saúde para que sejam ambientes acolhedores.
- Sócio-cultural e político: engajamento em políticas públicas locais, onde muitas vezes se decide sobre leis que afetam diretamente os direitos e a segurança das pessoas LGBTQIA+, especialmente das pessoas trans.
Ouvir com empatia e acolher a diversidade
Para Sanders, escutar com compaixão e formular perguntas respeitosas são formas de cuidado fundamentais. Ele ressalta a importância de reconhecer as múltiplas dimensões que compõem a identidade de cada pessoa, como gênero, sexualidade, neurodiversidade e outros aspectos corporais que influenciam a relação com o divino.
Um capítulo novo em sua obra trata dessa interseção entre corpo, mente e espiritualidade, destacando que, muitas vezes, ao se tornar um espaço afirmativo para jovens LGBTQIA+, a igreja também acaba acolhendo jovens neurodivergentes, o que requer atenção especial a detalhes como iluminação, sons e formas de interação para garantir um ambiente confortável e inclusivo.
Reivindicação da palavra “queer” e histórias de resistência
Sanders fala com carinho sobre a ressignificação da palavra “queer”, que antes era usada como insulto, mas hoje é um termo de união e afirmação da diversidade. Ele compartilha que sua trajetória pessoal de fé está profundamente ligada à sua identidade queer, que enriquece sua espiritualidade e sua forma de se relacionar com o sagrado.
Além disso, ele destaca a importância de contar as histórias dos ancestrais LGBTQIA+ na fé, cheias de coragem, alegria e resiliência, para fortalecer a comunidade e alimentar a esperança. Conhecer essas narrativas é fundamental para celebrar os dons que pessoas queer trouxeram e continuam trazendo para a vida eclesial.
Como se engajar e mostrar solidariedade
O ministério com jovens LGBTQIA+ pode ser acessado por diferentes níveis de engajamento:
- Participar: ações simples como comparecer a eventos de orgulho vestindo uma camiseta da igreja já têm impacto significativo.
- Atuar: envolver-se em organizações locais de justiça LGBTQIA+ ou em advocacy político para colocar em prática a aliança.
- Comprometer-se: assumir riscos, como enfrentar possíveis retaliações na comunidade ou até ações de desobediência civil, para proteger e afirmar os direitos dos vizinhos queer.
O convite de Sanders é para que o cuidado com os jovens LGBTQIA+ seja feito com atenção às suas histórias de vida, escuta empática e compromisso com a justiça social, fortalecendo assim a fé e a comunidade.
Este chamado ao acolhimento e à ação transforma não apenas as vidas dos jovens LGBTQIA+, mas também desafia as igrejas a serem espaços verdadeiramente inclusivos e proféticos. Em tempos de tantas resistências e ataques, o ministério para jovens LGBTQIA+ é um farol de esperança e amor que ilumina o caminho para uma fé mais plural e vibrante.
Para a comunidade LGBTQIA+, reconhecer que a espiritualidade pode ser um espaço de afirmação e não exclusão é um passo revolucionário. E para as igrejas, é uma oportunidade de renovar seu compromisso com o amor que transcende preconceitos e celebra a diversidade como expressão divina.
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