Concurso celebra identidade e resistência da moda das quebradas com Anitta no júri e visibilidade para estilistas periféricos
A moda periférica brilhou no Museu de Arte do Rio durante o concurso Eu Vim de Lá, promovido pela Kenner, que reuniu cinco marcas de moda nascidas em comunidades cariocas e que hoje conquistam espaço nacional. Mais do que um desfile, o evento foi uma celebração das origens e da força criativa da periferia, que dita tendências e expressa protestos por meio do estilo.
Com Anitta no júri, a cantora reforçou o orgulho de suas raízes e a importância de valorizar de onde se vem:
“Assim como esses estilistas, eu também ‘vim de lá’ e nunca deixei de valorizar de onde eu saí” — Anitta
A grande vencedora foi a marca baiana Iloostre, de Loo Nascimento, que recebeu R$ 15 mil, um editorial produzido pela marca e ampla visibilidade para expandir seu negócio. Além dela, as outras marcas participantes receberam prêmios em dinheiro, produtos da coleção de Anitta com a Kenner e troféus, fortalecendo o protagonismo dos estilistas periféricos.
Moda periférica como expressão de resistência e identidade
O concurso também será tema de um minidocumentário que estreia no canal da Kenner no YouTube, com a proposta de transformar a experiência em uma série que mostra os bastidores, processos criativos e histórias pessoais dos estilistas. A produção revela como empreender na favela exige muita criatividade, improviso e resistência, além de ser uma forma potente de expressão cultural e social.
O futebol como inspiração na moda da periferia
Entre as marcas apresentadas, a Pormenor, de Bento Ribeiro, destaca-se pelo streetwear inspirado no futebol. Criada por Bernardo Pormenor e Matheus da Silva, a marca tem camisetas, moletons, bonés e camisas de futebol que resgatam a paixão da comunidade pela bola. A dupla chegou a criar uma camisa comemorativa para o Ronaldo Fenômeno, ícone local que inspirou seus sonhos.
“Crescemos na mesma rua do Ronaldo, influenciados pela Copa e pela projeção dele. Não viramos jogadores, mas buscamos nosso sucesso através da moda” — Matheus da Silva
Para Matheus, participar do evento no MAR foi uma confirmação de que o trabalho iniciado com muito esforço desde 2016 está sendo reconhecido e que o caminho trilhado é o correto.
Jacquard e moda inclusiva: o protesto da ÈSSIS
A ÈSSIS, marca de Alexandre Santos em Rio das Pedras, nasceu como projeto acadêmico e virou uma missão de vida. Alexandre viu na moda uma forma de dar voz e identidade a narrativas periféricas, muitas vezes invisibilizadas. Seu trabalho ressignifica o jacquard, tecido tradicionalmente associado à elite, como símbolo de protesto e inclusão.
“É uma forma de protesto, trazendo para todos aquilo que já foi visto como privilégio” — Alexandre Santos
Negado em várias oportunidades no mercado de trabalho formal, Alexandre criou sua própria jornada e usa a moda urbana para expressar críticas sociais e fortalecer a cultura periférica. Sua marca ganhou espaço principalmente pelas redes sociais, que hoje são seu principal canal de vendas.
O que a moda periférica representa
Para Renata Simon, diretora de produto da Kenner, as marcas periféricas não vendem apenas roupas, mas cultura, atitude e pertencimento. Cada criação carrega o reflexo das vivências e códigos das comunidades, fomentando tendências e amplificando vozes que celebram a diversidade e a resistência.
O concurso Eu Vim de Lá é um marco que mostra como a moda periférica é um fenômeno transformador, que vai além da estética: é uma poderosa ferramenta de empoderamento, inclusão e representatividade — valores fundamentais para a comunidade LGBTQIA+ e para todos que buscam visibilidade e afirmação.
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