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Morador LGBTQ+ no Marrocos relata ataque brutal por afeto público

Mimoun Kabdani sobrevive a agressão homofóbica em Rabat e denuncia a repressão legal e social
Morador LGBTQ+ no Marrocos relata ataque brutal por afeto público

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Mimoun Kabdani sobrevive a agressão homofóbica em Rabat e denuncia a repressão legal e social

Em Rabat, Marrocos, o jovem Mimoun Kabdani, de 30 anos, compartilhou uma história dolorosa e necessária para entendermos a realidade de pessoas LGBTQ+ em países onde o amor ainda é criminalizado. Após ser brutalmente atacado por segurar a mão do namorado em público, Mimoun tornou-se a voz de resistência contra a violência e a repressão que enfrentam diariamente.

Um país onde o amor é proibido

O Marrocos mantém uma legislação dura, o Artigo 489 do Código Penal, que pune relações entre pessoas do mesmo sexo com até três anos de prisão. Essa lei reforça um ambiente social conservador e hostil, onde gestos simples de afeto, como segurar as mãos, podem desencadear ataques violentos e discriminação.

Mimoun lembra com tristeza os insultos homofóbicos e as agressões físicas que sofreu junto ao parceiro. “O que doeu mais que as pancadas foi saber que a polícia não faria nada – no Marrocos, a lei diz que somos os criminosos”, relata ele, reforçando o sentimento de insegurança constante vivido por muitos LGBTQ+ no país.

Repressão e invisibilidade

Além da violência física, a comunidade enfrenta o medo da denúncia e a falta de proteção. O estigma social é tão forte que muitas vítimas evitam buscar ajuda para não serem expostas ou punidas legalmente. Organizações de direitos humanos relatam centenas de processos judiciais contra pessoas LGBTQ+ nos últimos anos, evidenciando a perseguição institucionalizada.

Ativistas locais denunciam a contradição entre a imagem moderna que o governo marroquino tenta projetar para o turismo e a realidade de exclusão e violência que enfrentam sexualidades dissidentes. “O governo promove o Marrocos como moderno para os turistas, enquanto nos chama de ‘escória’ em privado”, afirma Jamal Malek, fundador de um coletivo LGBTQ+ proibido.

Resistência e esperança

Mimoun decidiu romper o silêncio e compartilhar seu relato com a imprensa internacional, acreditando que visibilidade é uma forma de resistência. “Contar nossas histórias é resistir. O mundo precisa saber o que está acontecendo”, afirma com coragem.

Para mudar essa realidade, ativistas pedem não apenas a revogação das leis discriminatórias, mas também uma transformação cultural que promova o diálogo, a tolerância e o respeito à diversidade. O combate à violência contra pessoas LGBTQ+ no Marrocos exige uma mobilização ampla, que envolva educação, proteção legal e empatia social.

Essa narrativa de luta e sobrevivência nos lembra o quanto o afeto público ainda é um ato de coragem para muitos ao redor do mundo. A experiência de Mimoun nos convida a refletir sobre as barreiras que a comunidade LGBTQ+ enfrenta em territórios onde o amor é criminalizado, e a importância de amplificar essas vozes para promover mudança.

Mais do que uma denúncia, o relato de Mimoun é um chamado à solidariedade global e um lembrete de que a liberdade de amar deve ser um direito universal, sem medo, sem violência.

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