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MTV encerra canais musicais e desafia o futuro do videoclipe

Fim dos canais 24h da MTV mostra transformação do videoclipe na era digital
MTV encerra canais musicais e desafia o futuro do videoclipe

Fim dos canais 24h da MTV mostra transformação do videoclipe na era digital

Em 1º de agosto de 1981, a MTV estreava com o clássico “Video Killed The Radio Star”, dos Buggles, inaugurando a era dos videoclipes e revolucionando a música e a cultura pop mundial. Quase 45 anos depois, a mesma música marcou o encerramento dos canais 24 horas dedicados exclusivamente à música da MTV, como MTV 80s, MTV 90s e Club MTV, desativados pela Paramount em janeiro de 2026.

Essa decisão, motivada pela necessidade de cortar custos e pela migração maciça do público para plataformas digitais como YouTube e redes sociais, reflete uma mudança profunda no consumo de música e conteúdo audiovisual. Hoje, a MTV investe em séries roteirizadas e reality shows, deixando de lado a veiculação contínua de videoclipes.

O auge e a transformação do videoclipe

Nos anos 80 e 90, o videoclipe foi um fenômeno cultural que gerou momentos inesquecíveis: Cher em “If I Could Turn Back Time”, com seu icônico figurino e cenário inusitado; o inovador clipe animado e ao vivo de “Take On Me”, do A-ha; e os marcos deixados por Michael Jackson e Madonna, que elevaram o formato a patamares artísticos com “Thriller”, “Billie Jean”, “Material Girl” e “Vogue”.

Bandas e artistas de diferentes estilos também se beneficiaram do formato para alcançar fama, desde o grunge de Nirvana até hits dançantes como “Groove Is In The Heart” do Deee-Lite. Mais recentemente, nomes como Lady Gaga e Miley Cyrus continuam a usar videoclipes para capturar a atenção do público, enquanto grupos como OK-GO inovam com coreografias criativas.

Videoclipes não morreram, apenas evoluíram

Para a comunidade LGBTQIA+, o videoclipe sempre foi uma vitrine essencial de expressão, identidade e visibilidade, especialmente por meio de artistas que desafiaram padrões e celebraram a diversidade. A notícia do fim dos canais musicais da MTV pode soar como um golpe, mas especialistas afirmam que o videoclipe está longe de morrer.

Segundo a professora associada da University of Technology Sydney, Liz Giuffre, programas como “Rage”, da ABC, que completa quase 40 anos, demonstram a vitalidade do formato. “É um espaço onde artistas consagrados e novos talentos convivem, e isso é raro no mundo”, comenta.

O videoclipe, que surgiu ainda na era do cinema mudo e foi batizado em 1959 pelo músico Big Bopper, se adaptou às novas plataformas digitais. Hoje, artistas não produzem apenas um clipe tradicional, mas uma série de conteúdos visuais para TikTok, Instagram e YouTube, ampliando sua presença e diálogo com o público.

Diretores e artistas: uma relação artística e cultural

Grandes nomes do cinema começaram suas carreiras dirigindo videoclipes, como Michael Bay, David Fincher, Spike Jonze e Antoine Fuqua, mostrando que o formato é também um laboratório criativo. Para artistas LGBTQIA+, essa interseção entre música, imagem e narrativa é uma ferramenta poderosa para romper estigmas e afirmar identidades.

Na Austrália, bandas como AC/DC e You Am I também contribuíram para a tradição dos videoclipes, provando que criatividade e impacto não dependem apenas de orçamentos altos.

O videoclipe como arte viva e pulsante

Apesar do encerramento dos canais dedicados, a demanda por videoclipes e conteúdos audiovisuais só cresce, impulsionada pelo streaming e redes sociais. Grandes artistas internacionais, como Billie Eilish, investem em concertos filmados e vídeos que chegam direto a plataformas como Netflix, ampliando o alcance e a experiência do público.

Videoclipes recentes, como “Denial Is A River” de Doechii e “Headphones On” de Addison Rae, mostram que o formato continua a se reinventar, ainda que sem o mesmo status icônico do passado. Eles são parte de um ecossistema audiovisual mais amplo e dinâmico.

O videoclipe pode até ter mudado de rosto, mas permanece um canal vital para que artistas LGBTQIA+ contem suas histórias, celebrem suas existências e desafiem normas. Sua evolução acompanha o pulsar da comunidade e as transformações culturais, provando que, mesmo em meio a mudanças, a arte visual da música segue viva e essencial.

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