Neste Dia Internacional da Mulher 2026, queer mulheres e pessoas não binárias lutam contra discriminação e buscam equidade
O mercado de trabalho ainda é um campo minado para mulheres LGBTQIA+ que enfrentam, diariamente, uma combinação dolorosa de misoginia e preconceito contra suas identidades. Neste Dia Internacional da Mulher 2026, destacamos as batalhas e conquistas dessas pessoas que desafiam barreiras para conquistar respeito, espaço e igualdade.
Experiências que revelam um cenário hostil
Linn Boo, especialista em cibersegurança, lembra com tristeza o episódio em que, ao se assumir para colegas, foi alvo de agressão verbal e até física. “Um membro da minha equipe me cuspiu e me chamou de ‘nojenta'”, conta. Esse tipo de discriminação, infelizmente, não é incomum para muitas mulheres queer, que além de sofrerem com o sexismo, lidam com o preconceito ligado à orientação sexual ou identidade de gênero.
Pesquisas indicam que uma em cada cinco pessoas LGBTQIA+ já recebeu comentários negativos ou foi discriminada no ambiente profissional. Esse cenário reforça a necessidade de espaços seguros e inclusivos, onde todas possam se sentir valorizadas e representadas.
Construindo espaços de trabalho inclusivos e igualitários
Após enfrentar o preconceito, Linn Boo fundou sua própria consultoria, Boo Consulting Limited, onde promove uma cultura de respeito e visibilidade para profissionais LGBTQIA+. “Eu quero mostrar que mulheres LGBTQIA+ podem ocupar cargos de liderança e fazer isso muito bem”, afirma. Em sua empresa, o uso correto de nomes e pronomes é prioridade, e treinamentos de diversidade são rotina.
Outro exemplo de resistência é a Studio Lutalica, empresa de design criada por Cecilia Righini, que também enfrentou discriminações. Lá, todas as pessoas começam com o mesmo salário, independentemente do cargo, para combater preconceitos inconscientes e valorizar o trabalho em si. A maioria das colaboradoras são mulheres e pessoas não binárias, o que fortalece o compromisso com a equidade.
Desafios ainda presentes: o abismo salarial e a invisibilidade
Dados revelam que o gap salarial de gênero no Reino Unido é de 8,3%, mas para pessoas LGBTQIA+ essa diferença chega a 16%. O medo de se assumir e o receio de retaliações fazem com que muitas aceitem salários menores ou se calem diante de injustiças. “Há um desconforto enorme em lutar por direitos quando já se sente vulnerável por causa da própria identidade”, explica Cecilia.
Por isso, o tema do Dia Internacional da Mulher deste ano, “Give To Gain” (Dar para Ganhar), reforça a importância de que governos, empresas e indivíduos façam esforços conscientes para promover segurança, direitos e liderança feminina, especialmente considerando as diferentes realidades de cada mulher.
Por que a luta das mulheres LGBTQIA+ importa para toda a sociedade
Ao reconhecermos a pluralidade de experiências e desigualdades que atravessam as mulheres queer e pessoas não binárias, avançamos em direção a uma sociedade mais justa e diversa. A luta contra a misoginia e a desigualdade salarial não é apenas uma questão individual, mas um movimento coletivo que fortalece toda a comunidade LGBTQIA+ e seus aliados.
Mais do que políticas e números, essa batalha é sobre dignidade, visibilidade e a celebração da identidade sem medo. É um convite para que todas as pessoas, dentro e fora do mercado de trabalho, reflitam sobre seus privilégios e atuem para derrubar os muros do preconceito e da exclusão.
Em tempos de retrocessos e ataques à diversidade, a coragem e a resiliência das mulheres LGBTQIA+ no ambiente profissional nos inspiram a continuar lutando por espaços onde a autenticidade seja a regra, e não a exceção. Afinal, a verdadeira equidade só será alcançada quando todas as vozes forem ouvidas e valorizadas.
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