A atriz e escritora revela suas memórias e o poder feminino em sua estreia literária emocionante
Natalia Moreno, conhecida por sua trajetória multifacetada como atriz, diretora, produtora e roteirista, agora se lança no universo literário com seu romance de estreia Madonna não nasceu em Wisconsin. Nesta obra, que não é uma autobiografia, mas um mergulho nas emoções e memórias da autora, Moreno convida o leitor a viajar entre passado e presente, entre a realidade e a poesia, em uma narrativa carregada de sensibilidade e autenticidade.
Raízes e resistência: o cenário de uma memória coletiva
Ambientada em Doña Godina, uma pequena localidade aragonesa que Moreno chama de seu ‘Wisconsin pirenaico’, a história tem como pano de fundo a fonda de pedra construída por três gerações de sua família, submersa por uma enchente ministerial em 2008. A abuela Pilar, aos 96 anos, é testemunha viva dessa história que transborda dor, resistência e amor. É neste espaço que a autora reconstrói suas memórias, costurando a herança familiar com a efervescência cultural dos anos pós-punk, em que a música e a literatura foram portas de liberdade e transformação.
Uma busca incansável por liberdade e beleza
Para Natalia, a arte sempre foi um alimento essencial, uma fome que nunca se sacia, mas que também é sua maior bênção. Crescida em um colégio de freiras em Huesca, ela encontrou no rock, em figuras como David Bowie, Kurt Cobain e Madonna, referências para expressar sua identidade e desafiar as convenções. Madonna, especialmente, simbolizava para ela a liberdade máxima, a ousadia de ser e cantar sem amarras.
Mulheres, arte e a construção de uma comunidade
O livro também é um manifesto sobre a força feminina e a solidariedade entre mulheres. Moreno relembra a influência libertária da mãe, que a levava a praias nudistas em Ibiza e a ensinava a desfrutar de seu corpo sem culpa. Em tempos de algoritmos e violência simbólica, ela reconhece os novos desafios enfrentados pelas jovens, mas também celebra as artistas revolucionárias que ocupam espaços antes inimagináveis, como Rosalía, que representa um novo prazer e empoderamento.
Uma obra universal e visceral
Madonna não nasceu em Wisconsin é um romance que dialoga com a universalidade das emoções humanas, mesmo que esteja ancorado em um lugar e tempo específicos. A autora, com 46 anos, mostra maturidade e coragem para expor suas dores, aprendendo a chorar como um ato de sobrevivência e liberdade, ensinando também seu filho a enfrentar as quedas da vida com resiliência.
Com uma escrita fluida e cheia de nuances, a obra é uma celebração da memória, da arte e do feminino. Natalia Moreno traz para a literatura o olhar de quem conhece profundamente o palco da vida e da criação artística, convidando a comunidade LGBTQIA+ a se reconhecer nessa busca por identidade, expressão e pertencimento.
Este livro é um lembrete de que a arte é um espaço seguro para a reinvenção e que as histórias que nos conectam são também as que nos libertam. Em tempos de tanta hostilidade, a voz de Natalia ressoa como um chamado para que todas e todos encontrem sua própria forma de resistência e beleza.
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