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NHL é criticada por homofobia apesar do sucesso da série Heated Rivalry

Popular série sobre jogadores LGBTQIA+ expõe hipocrisia da NHL, que lucra com representatividade mas mantém ambiente hostil
NHL é criticada por homofobia apesar do sucesso da série Heated Rivalry

Popular série sobre jogadores LGBTQIA+ expõe hipocrisia da NHL, que lucra com representatividade mas mantém ambiente hostil

A série Heated Rivalry, lançada em novembro de 2025 pela plataforma Crave, conquistou rapidamente fãs ao redor do mundo ao abordar a vida de dois jogadores de hóquei lidando com amor, medo e a difícil jornada de assumir sua sexualidade em um ambiente esportivo tradicionalmente homofóbico. No entanto, esse sucesso expôs uma contradição incômoda: enquanto a NHL (Liga Nacional de Hóquei) utiliza cenas e temas da série para promover seus jogos e eventos, ela permanece uma das ligas esportivas mais homofóbicas da América do Norte.

Homofobia estrutural na NHL

Apesar de sediar noites de orgulho LGBTQIA+ e vender produtos temáticos, a NHL nunca contou com um jogador profissional abertamente gay em seus 108 anos de história. Pesquisas recentes apontam a liga como a mais anti-LGBTQIA+ entre os principais esportes masculinos, reflexo de uma cultura marcada por preconceitos velados e explícitos. Jogadores e ex-atletas denunciam o uso frequente de xingamentos homofóbicos nos vestiários e punições inconsistentes para ofensas homofóbicas em partidas oficiais.

O comissário da NHL, Gary Bettman, protagonizou um episódio polêmico em 2023 ao defender que a recusa de alguns atletas em usar uniformes com símbolos do orgulho deveria ser respeitada como uma “diferença” pessoal, o que foi interpretado por muitos como um aval à homofobia. Embora tenha imposto e depois flexibilizado proibições sobre fitas de orgulho nos equipamentos, o discurso institucional ainda não acompanha as demandas por inclusão real.

A hipocrisia da promoção com Heated Rivalry

Times da NHL têm promovido a série em suas redes sociais, exibindo trechos e músicas da trama em seus estádios, além de comercializar camisetas dos personagens. Parte das vendas chega a ser doada para iniciativas como o Ottawa Pride Hockey. Apesar disso, a crítica é unânime: usar a visibilidade da série para atrair público e capital, sem enfrentar a homofobia estrutural dentro da própria liga, soa como uma manobra performativa e hipócrita.

O ator François Arnaud, que interpreta Scott Hunter em Heated Rivalry, expressou essa contradição: “Se vocês vão usar nosso nome, que apoiem isso com atitudes reais.” Esse sentimento reflete a frustração de fãs LGBTQIA+ que veem sua representatividade explorada enquanto o ambiente do hóquei profissional continua hostil e excludente.

Impacto e o futuro da representatividade no esporte

Heated Rivalry trouxe à tona discussões urgentes sobre a presença e aceitação de atletas LGBTQIA+ no esporte de alto rendimento. A série humaniza histórias de medo e coragem, mostrando que o preconceito ainda é uma barreira real, mesmo em ligas que tentam se mostrar inclusivas. O uso da série pela NHL para promoção sem mudanças estruturais revela o quanto o esporte ainda precisa evoluir para ser verdadeiramente acolhedor.

Enquanto isso, a comunidade LGBTQIA+ do hóquei e seus aliados seguem pressionando por espaços seguros e reconhecimento genuíno dentro das equipes e da liga. A representatividade não pode ser apenas um produto de marketing; precisa ser parte da cultura do esporte.

Essa contradição entre o sucesso cultural da série e a persistente homofobia institucionalizada da NHL reflete um dilema maior na sociedade: o desafio de transformar visibilidade em mudança real. Para a comunidade LGBTQIA+, é fundamental que o esporte, especialmente tão emblemático como o hóquei, acompanhe a evolução social com ações concretas, indo além do simbólico e do comercial.

Por fim, essa discussão destaca como a representatividade no esporte é mais do que um tema de entretenimento — é uma questão de direitos, respeito e dignidade. O futuro do hóquei só será mais inclusivo se a liga e seus membros entenderem que acolher a diversidade é uma vitória para todos.

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