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Ofcom não pune GB News após apresentador usar slur homofóbico

Ofcom não pune GB News após apresentador usar slur homofóbico

Canal conservador violou regras ao comparar LGBTQIA+ a abusadores, mas recebeu apenas advertência após pedido de desculpas

Em um episódio que reacende o debate sobre respeito e responsabilidade na mídia, o canal GB News, conhecido por sua linha conservadora no Reino Unido, foi considerado pela Ofcom, o órgão regulador de comunicações britânico, como infrator das normas de radiodifusão após um apresentador ter utilizado um slur homofóbico em seu programa.

Em janeiro deste ano, durante seu programa Headliners, o comediante Josh Howie lançou uma comparação extremamente ofensiva, relacionando pessoas LGBTQIA+ a abusadores infantis. A frase provocou uma avalanche de mais de 71 mil reclamações ao órgão regulador, evidenciando o impacto doloroso e o alto potencial de ofensa contido na fala.

O que disse Josh Howie?

Durante o programa, Howie citou um comentário da bispa episcopal Mariann Budde, que pediu ao ex-presidente dos EUA, Donald Trump, que tivesse “misericórdia” com pessoas queer. Na sequência, Howie acrescentou: “Eu só quero dizer que isso inclui pedófilos”, numa associação que não apenas é falsa, mas também um preconceito histórico usado para estigmatizar a comunidade LGBTQIA+.

Ofcom: “Potencial claro de ofensa”

Após uma investigação que durou seis meses, a Ofcom concluiu que o comentário de Howie violou a Regra 2.3 do Código de Radiodifusão, que exige a aplicação de padrões geralmente aceitos para proteger o público contra conteúdos prejudiciais ou ofensivos. O órgão ressaltou que a fala “claramente tinha o potencial de causar um alto grau de ofensa”, principalmente por reforçar um estereótipo preconceituoso que liga sexualidades e identidades de gênero a crimes sexuais.

Por que não houve sanção?

Apesar da gravidade da infração, a Ofcom optou por não aplicar sanções ao GB News. Essa decisão considerou o pedido de desculpas feito por Howie ao vivo em fevereiro, no qual ele afirmou que seu comentário foi uma piada e negou a intenção de comparar pessoas LGB a pedofilia. Curiosamente, ele se referiu apenas a LGB, excluindo explicitamente pessoas trans do pedido de desculpas, o que também foi observado pelo órgão regulador. A Ofcom entendeu que a retratação pública foi suficiente para resolver o caso.

Contexto e repercussão

Este não é o primeiro revés regulatório para o GB News, que no ano anterior foi multado em 100 mil libras por violar regras de imparcialidade. Porém, a ausência de uma punição mais severa neste caso traz à tona a discussão sobre os limites da liberdade de expressão e o papel das instituições em proteger grupos vulnerabilizados de discursos de ódio.

Para a comunidade LGBTQIA+, episódios como este reforçam a luta contra preconceitos enraizados, especialmente quando veiculados em espaços amplamente acessados. É fundamental que canais e apresentadores assumam a responsabilidade pelo impacto de suas palavras, promovendo um diálogo respeitoso e inclusivo.

O caso do GB News evidencia como a homofobia ainda encontra espaço em mídias tradicionais, mesmo diante de protestos e regulamentos. Para quem acompanha a pauta LGBTQIA+, é uma chamada para vigilância e engajamento contínuos na defesa de direitos e no combate a discursos que perpetuam o medo e a exclusão.

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