Movimentos essencialistas se unem para atacar direitos das pessoas trans sob a bandeira da proteção feminina
Nos últimos anos, uma crescente articulação entre grupos feministas de vertente essencialista e setores da ultradireita vem ganhando força no Brasil para restringir direitos das pessoas trans. Sob o discurso de proteção às mulheres e crianças, essas organizações promovem ações que excluem travestis e transexuais de espaços femininos, competições esportivas e serviços de saúde, ampliando uma ofensiva transfóbica que ecoa no mundo inteiro.
O papel central da Matria na ofensiva antitrans
Uma das principais organizações desse movimento é a Matria – Associação de Mulheres, Mães e Trabalhadoras do Brasil. Fundada em 2023 e com sede em Joinville (SC), a Matria reúne cerca de 300 associadas e tem presença expressiva nas redes sociais. A entidade atua profissionalmente em advocacy junto a órgãos públicos e no judiciário, buscando barrar políticas que ampliem direitos trans, além de fortalecer alianças políticas com grupos conservadores e religiosos.
Apesar de se declarar comprometida com a proteção dos direitos das mulheres com base no sexo biológico, a Matria é vista por especialistas e ativistas como um ator fundamental na institucionalização da agenda antitrans no país. Suas ações incluem a promoção de visitas internacionais para denunciar supostas violações dos direitos femininos em nome da agenda de gênero, além de litígios estratégicos para restringir o acesso de pessoas trans a espaços femininos.
Feminismos essencialistas e a transfobia como plataforma
Os grupos que compõem essa ofensiva se definem como feministas radicais ou críticas do gênero, mas especialistas preferem classificá-los como feminismos essencialistas ou transfóbicos. Eles defendem que as diferenças entre homens e mulheres são biologicamente determinadas, rejeitando a identidade de gênero como construção social legítima.
Essa visão se conecta diretamente com a chamada “ideologia de gênero”, termo usado por setores conservadores e religiosos para atacar pautas LGBTQIA+. No Brasil, essa confluência resultou em um movimento político que busca reverter direitos conquistados e impedir avanços nas políticas públicas para pessoas trans.
Contexto internacional e implicações sociais
Esse fenômeno não é isolado: movimentos semelhantes ganham força na Europa, América do Norte e outras regiões, muitas vezes associando-se a pautas ultraconservadoras para ampliar seu alcance. No Brasil, a Matria e grupos aliados representam uma versão profissionalizada dessa articulação, com impacto direto em decisões judiciais e legislativas.
Além disso, a ofensiva antitrans contribui para o aumento da transfobia social, dificultando o acesso a direitos básicos e intensificando a violência contra travestis e transexuais, população que já enfrenta índices alarmantes de assassinatos e discriminação.
É urgente reconhecer que a suposta defesa das mulheres por esses grupos essencialistas não contempla as diversas identidades femininas, mas sim reforça exclusões e opressões dentro do próprio movimento feminista e da sociedade.
Ao compreender as estratégias e alianças por trás da ofensiva antitrans, a comunidade LGBTQIA+ pode fortalecer sua resistência, ampliando redes de solidariedade e diálogo que afirmem a pluralidade de gênero e a dignidade de todas as pessoas.
Essa batalha não é só política, mas profundamente humana. Defender os direitos trans é defender a pluralidade das existências e a liberdade de ser quem se é. No contexto brasileiro, marcado por retrocessos e polarizações, reconhecer e enfrentar a ofensiva antitrans é um passo vital para construir um futuro mais inclusivo e justo para toda a comunidade LGBTQIA+.
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