Entre cultura, teatro e desafios, as estrelas do reality revelam seus segredos e inspirações
Depois de 17 temporadas, RuPaul’s Drag Race segue firme como um fenômeno que não para de crescer. As 10 indicações ao Emmy deste ano atestam que a série da MTV continua inovando e emocionando. E nada melhor do que ouvir diretamente das protagonistas da 17ª temporada, a vencedora Onya Nurve e a vice-campeã Jewels Sparkles, sobre suas trajetórias, inspirações e o que representa o universo drag para elas.
Descobrindo a drag: um chamado da alma
Para Jewels Sparkles, a paixão pelo drag começou ainda na adolescência, em Puerto Rico, quando sua prima, fã fervorosa do programa, insistiu para que ela assistisse à final do reality. Apesar da resistência inicial, aquele momento despertou uma conexão profunda. “Tudo que eu sentia de insegurança e rejeição, aquelas pessoas estavam sendo celebradas e vivendo disso. Entendi que era o meu caminho”, lembra Jewels.
Já Onya Nurve, hoje com 32 anos, só conheceu o show aos 27, quando começou a namorar alguém que fazia drag. O fascínio foi instantâneo e, em poucos anos, Onya mergulhou de cabeça no mundo drag: “Foi amor à primeira vista. Desde então, não parei mais”.
Cultura e teatro: a alma do seu drag
Ambas as queens destacam a importância de suas raízes culturais no desenvolvimento artístico. Onya traz para o palco a força da cultura negra e o drama teatral, criando performances carregadas de emoção e expressão. “Teatro e cultura são inseparáveis para mim”, afirma.
Jewels Sparkles, por sua vez, carrega a vivacidade latina, combinando o rosa vibrante e a feminilidade exuberante com uma maturidade única. “As queens latinas que vi na TV foram uma inspiração para eu me assumir e celebrar quem sou”, conta.
O desafio do lip sync e o poder do improviso
Um dos momentos mais marcantes da temporada foi a batalha de lip sync entre Onya e Jewels, que evidenciou toda a competitividade e paixão das queens. Onya relembra que, mesmo sem truques, decidiu apostar na criatividade: “Puntei a peruca para surpreender. Não dá para pensar muito, só agir e dar tudo de si”.
Jewels confessa que não sabia da jogada até o fim da apresentação, o que tornou o momento ainda mais impactante. “É uma luta pela atenção, um instante decisivo para o sonho de cada uma”, destaca Onya.
Snatch Game: entre medo e diversão
O icônico Snatch Game é um divisor de águas para as queens. Enquanto muitas temem, Onya e Jewels lembram que, quando se permite curtir, a experiência se transforma. Jewels até compartilha uma tática para driblar o silêncio da plateia: “Convenci a mim mesma de que eu era a mais engraçada da sala, só assim mantive a confiança”.
Finale e a celebração do percurso
Na reta final do programa, as duas ressaltam que o mais importante foi aproveitar o momento e celebrar a vitória de já ter chegado até ali. “Quinze outras queens não chegaram tão longe, então é um prêmio estar na final”, diz Onya. Jewels reforça que usou a oportunidade para mostrar sua essência para o mundo: “Queria que as pessoas lembrassem quem é Jewels Sparkles, sem filtros”.
Após o Drag Race: o mundo aos seus pés
A vida pós-Drag Race tem sido uma montanha-russa para Onya e Jewels. Viagens, shows e encontros com fãs ao redor do mundo transformaram suas rotinas. Jewels celebra a oportunidade de levar sua arte para além das fronteiras, realizando turnês pela América do Sul, Austrália e outros países. “Seis anos atrás nem sonhava que estaria vivendo isso”, emociona-se.
Para ambas, a mensagem é clara: aproveitar cada apresentação, estar presente e nunca esquecer por que começaram essa jornada. “Pode cansar, mas é um privilégio. Olhar para a plateia e sentir o apoio é o que move a gente”, concluem as rainhas que vêm conquistando não só o palco, mas também os corações da comunidade LGBTQIA+ e fãs pelo mundo.
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