Campanha que buscava garantir saúde trans, aborto e casamento igualitário é encerrada sem explicações
Uma coalizão de organizações em Oregon, liderada pela ACLU, Basic Rights Oregon e Planned Parenthood, anunciou o fim da campanha para incluir na Constituição estadual direitos fundamentais à saúde para pessoas trans, aborto e casamento entre pessoas do mesmo sexo. A iniciativa, que estava em fase de coleta de assinaturas para entrar na cédula de votação de novembro, foi suspensa inesperadamente, sem detalhar os motivos.
O movimento LGBTQIA+ e os apoiadores da causa esperavam seguir o exemplo do estado de Nova York, que aprovou uma medida semelhante em 2024, ampliando proteções constitucionais para esses direitos. A campanha vinha ganhando força, participando de eventos como a Parada do Orgulho e mobilizando recursos financeiros, inclusive investindo em pesquisas e sondagens para avaliar o apoio popular.
O que a medida previa
Conhecida como Equal Rights for All ou Iniciativa 33, a proposta buscava expandir as proteções contra discriminação já previstas na Constituição de Oregon, incluindo explicitamente identidade de gênero, orientação sexual e gravidez. Além disso, pretendia remover o texto que proíbe o casamento entre pessoas do mesmo sexo, uma restrição aprovada em 2004, mas anulada em 2015 pela Suprema Corte dos EUA.
Oregon já possui leis que garantem cobertura para cuidados de afirmação de gênero e acesso ao aborto sem limites gestacionais específicos, mas a mudança constitucional visava garantir esses direitos de forma sólida e imune a retrocessos políticos futuros.
Contexto político e social
A suspensão da campanha ocorre em um momento delicado, marcado por ataques federais a direitos civis e liberdades individuais. O acordo político estadual que descartou a votação da medida em 2024, em troca do fim de uma paralisação de legisladores republicanos, já indicava a dificuldade de aprová-la no atual cenário.
Organizações progressistas, sindicatos e grupos de defesa dos direitos humanos apoiavam a iniciativa, que contava com mais de 130 mil dólares em caixa para a campanha. No entanto, diante das adversidades, os líderes optaram por encerrar a mobilização e agradeceram o apoio da comunidade, reafirmando o compromisso de construir um Oregon mais inclusivo e respeitador da diversidade.
Reflexões para a comunidade LGBTQIA+
O cancelamento da iniciativa em Oregon é um lembrete doloroso de que os direitos conquistados ainda precisam ser defendidos constantemente, especialmente em tempos de instabilidade política. Para a comunidade LGBTQIA+, essa decisão ressalta a importância de manter a mobilização social e política ativa, fortalecendo redes de apoio e ampliando a visibilidade.
Mais do que uma derrota momentânea, esse episódio evidencia a urgência de consolidar proteções legais que garantam dignidade, autonomia e segurança para todas as pessoas, independentemente de sua identidade ou orientação. A luta por saúde trans, aborto e casamento igualitário é também uma luta pela afirmação plena da diversidade e do amor em todas as suas formas.
Assim, apesar do revés, a chama da resistência segue acesa. A história mostra que avanços sociais nunca são lineares, mas construídos com coragem e solidariedade. Oregon, como outras regiões, ainda tem muito a avançar para ser um lugar onde todas as pessoas LGBTQIA+ possam viver sem medo e com direitos garantidos.
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