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Os monstros somos nós

Como já era de se esperar o filme “Onde vivem os monstros”, dirigido por Spike Jonze (Quero Ser John Malkovich), é uma fabula, mas não para crianças. Ideia batida já. A sinopse é simples: Max é uma criança solitária, não tem amigos, em alguns momentos chega a brincar com a cerca de sua casa. O garoto anda um tanto apreensivo. Nervoso. Em um jantar, onde a sua mãe leva o suposto namorado, o garoto fica possesso de ciúme. Morde a progenitora e sai correndo mundo afora.

Ao entrar em uma floresta perto de sua casa Max encontra um barco, sobe nele e segue rumo. No meio de uma tempestade o seu barco vai parar em uma ilha. Logo o garoto percebe que lá há vida. Corre ao encontro e chega até os monstros. Lá encontra os monstros. Logo de cara Max faz amizade com Carol, que entre os monstros é o que possui os sentimentos mais dúbios. Ódio e amor. Coletividade e egoísmo.

Mas há os amigos de Carol e ta na cara que cada monstro ali é uma espécie de alegoria em torno dos sentimentos humanos. Temos o bode que representa o excluído, aquele que as pessoas não se importam; KW a independente e orgulhosa; Judith, a rancorosa e invejosa; Ira, que representa a inteligência e amabilidade; Touro, o melancólico; e Douglas, o melhor amigo de Carol.

Max passa a conviver com estes monstros. Apesar de cada um ter a sua característica psicológica todos os sentimentos se misturam a todo o momento. Assim com nós, os monstros não são seres lineares. Os seres representados no filme são os bichos internos de Max. A sua fúria e o seu amor. Ele está tentando entende-los e controlá-los. Não a toa ele é designado rei pelos monstros. Aquele que irá dar as ordens e trazer o amor de volta.

Além dos sentimentos, o filme também fala da nostalgia e do companheirismo. Em uma das cenas mais belas do filme, onde Carol vai mostrar ao garoto Max o seu forte, o monstro da a tônica do que se passa com ele e seus amigos. Ao Max ele diz: “costumávamos vir aqui todos os dias para construir o nosso forte. Mas de repente paramos de vir. Sinto falta daquele tempo em que ficávamos juntos”. Em seguida Carol se utiliza de uma metáfora para melhor explicar.

Busca a explicação nos dentes. “Sabe os dentes, quanto mais a gente envelhece eles se separam, até que um dia que todos somem e não sobra nada”…  Ou seja, os seus amigos estão indo embora. Podem não mais gostar de você ou simplesmente mudaram, ou você tenha mudado. E as vibrações não são mais as mesmas e terá que dar amor a outra pessoa. Muitas vezes continuamos ao lado dessas pessoas, mas já não há mais amor.

Max tem certeza de que ama a sua mãe. E os monstros, têm certeza de que amam uns aos outros?

E no final das contas, os monstros somos nós.

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