Com 4 milhões de pessoas, evento reforça visibilidade e direitos da população LGBTQIA+ idosa
Na vibrante Avenida Paulista, em São Paulo, a 29ª Parada do Orgulho LGBT+ reuniu uma multidão estimada em 4 milhões de pessoas para celebrar, refletir e reivindicar. Este ano, o evento trouxe um tema inédito e fundamental: o envelhecimento da população LGBTQIA+. Uma pauta que ganhou protagonismo e emocionou ativistas, famílias e participantes de todas as idades.
Envelhecer com dignidade e visibilidade
Para muitos, o envelhecimento LGBTQIA+ ainda é um desafio invisível. O ativista Norivaldo Júnior, conhecido como Nori, de 62 anos, ressaltou como o movimento precisa acolher suas gerações mais velhas, que muitas vezes enfrentam exclusão tanto da sociedade quanto de suas próprias comunidades. “Temos que garantir uma velhice digna, cheia de respeito e visibilidade, porque muitos idosos LGBTQIA+ ainda vivem o ciclo da rejeição e do preconceito”, afirmou, ao lado do marido Rodrigo Souza, com quem está há 14 anos.
A presença de diferentes gerações na parada, como o casal Nori e Rodrigo, simboliza a força do amor e do companheirismo para superar barreiras e construir um futuro mais justo para todas as idades dentro da comunidade LGBTQIA+.
Famílias trans e crianças ganham espaço
Um dos blocos que mais chamou atenção foi o “Crianças e Adolescentes Trans Existem”, que desfila há quatro anos na parada. Liderado pela ativista Thamirys Nunes, mãe de uma criança trans, o bloco destacou a importância da visibilidade e do reconhecimento das famílias trans, que ainda enfrentam muita resistência e negacionismo.
“Nossas crianças e adolescentes precisam ser respeitados, suas famílias reconhecidas e protegidas por políticas públicas que garantam seus direitos e futuro”, reforçou Thamirys, emocionada, enquanto caminhava entre os milhares de participantes.
Resistência, festa e representatividade
Mey Ling, que participa da parada desde 1996, lembrou que o evento é um poderoso espaço de resistência e celebração. Montada e cheia de brilho, ela reafirmou a força da representatividade: “Quando a gente se mostra, provoca o diálogo, conquista espaço e mostra que estamos aqui para ficar.”
Também marcaram presença os argentinos German Rocha e Emiliano, que vieram de Buenos Aires para apoiar a luta LGBTQIA+ em São Paulo. German ressaltou a importância da união latino-americana na defesa dos direitos e do respeito às diversidades.
Segurança e estrutura reforçadas para acolher o público
Com um público tão expressivo, o governo estadual mobilizou 1,5 mil agentes de segurança para garantir a proteção de quem foi celebrar e protestar. Serviços de saúde e transporte também foram ampliados para acolher e proteger a todos durante o evento, que é reconhecido como a maior parada LGBTQIA+ do mundo.
Assim, a Parada LGBT+ de São Paulo não foi apenas uma festa, mas um potente manifesto sobre envelhecimento, diversidade geracional e o direito de envelhecer com orgulho, respeito e visibilidade. Um chamado para que a comunidade e a sociedade se unam pela garantia dos direitos humanos em todas as fases da vida.