Mesmo com a queda do cacau no campo, o chocolate segue caro nas lojas. Entenda por que a Páscoa continua salgada no Brasil.
A busca por pascoa 2025 voltou a crescer no Brasil às vésperas da temporada de compras, puxada por uma dúvida bem concreta: por que o chocolate continua caro mesmo com a queda do preço do cacau? Nesta terça-feira, 1º de abril de 2026, dados reunidos pelo g1 mostram que o consumidor segue sentindo o peso no bolso, enquanto produtores de cacau na Bahia e no Pará recebem bem menos pela matéria-prima.
O contraste ajuda a explicar por que o tema entrou em alta no Google Trends. De um lado, o IBGE aponta que a inflação do chocolate em barra e dos bombons subiu 24,8% em 12 meses até a metade de março. Do outro, produtores baianos passaram a receber, em média, R$ 167 por arroba, contra R$ 718 em março do ano passado. No Pará, o quilo pago ao produtor caiu de R$ 44 para R$ 9,50 no mesmo período.
Por que o chocolate segue caro mesmo com o cacau em queda?
A principal explicação está no tempo de compra da matéria-prima. Segundo o analista Lucca Bezzon, da StoneX Brasil, os chocolates vendidos agora foram produzidos com manteiga e pó de cacau adquiridos com antecedência de seis a doze meses, quando as cotações internacionais ainda estavam em níveis recordes.
Hoje, o cacau é negociado na Bolsa de Nova York em torno de US$ 3 mil por tonelada. Há um ano, esse valor chegava a US$ 8 mil. Para os produtos desta Páscoa, a indústria chegou a pagar entre US$ 6 mil e US$ 10 mil por tonelada pelos subprodutos do cacau. Ou seja: a queda atual ainda não se refletiu integralmente nas prateleiras.
Além disso, especialistas ouvidos pela reportagem original apontam que a indústria aproveita o momento para recompor margens de lucro. Depois de anos de aperto por causa do déficit global de cacau, empresas do setor estariam priorizando a recuperação financeira antes de repassar qualquer alívio ao consumidor.
O que fez o preço disparar antes da Páscoa?
O encarecimento do chocolate é consequência de uma crise anterior na oferta mundial. Em 2024, a colheita de cacau caiu no Brasil e em grandes produtores africanos, como Costa do Marfim e Gana. O fenômeno El Niño provocou seca e excesso de chuvas em momentos inadequados, além de favorecer pragas e doenças nas lavouras.
Como a indústria brasileira depende majoritariamente do cacau nacional, mas também importa parte da matéria-prima, a escassez global pressionou ainda mais o mercado. Em média, segundo a apuração publicada, 80% do cacau usado aqui é nacional e 20% vem do exterior. Com menos oferta e forte disputa internacional, os preços dispararam.
Bezzon destaca que mercados de maior poder aquisitivo, como Europa e Estados Unidos, competiram pelo pouco cacau africano disponível, agravando a escassez em outros países. Esse movimento ajuda a entender por que a sensação de “Páscoa mais cara” virou conversa recorrente nas redes e nas buscas online.
Quando os preços podem começar a cair?
A expectativa dos analistas é de uma redução mais perceptível a partir do segundo semestre de 2026, caso os preços internacionais e domésticos do cacau permaneçam em patamar mais baixo. A produção mundial da safra 2024/25, segundo relatório do Itaú BBA citado na reportagem, cresceu 11%, impulsionada por melhora das condições climáticas na África e na América do Sul.
Depois de três safras seguidas de déficit global — algo que não acontecia desde o fim da década de 1960 — o mercado começou um processo de normalização. Ainda assim, essa reorganização não é automática. Entre a recuperação no campo e a queda no supermercado existe um intervalo que envolve estoques, contratos anteriores e estratégia comercial das fabricantes.
O que acontece com os produtores brasileiros?
Se para quem compra o chocolate a conta segue alta, para quem produz o cacau a situação também está longe do ideal. A forte queda no valor pago ao agricultor motivou protestos no sul da Bahia. Em fevereiro, produtores chegaram a interditar a BR-101 em Ibirapitanga, reclamando dos baixos preços e cobrando maior controle sanitário sobre o cacau importado.
Seis dias depois, o Ministério da Agricultura suspendeu temporariamente a importação de cacau da Costa do Marfim, alegando risco de entrada de pragas e doenças. Segundo o governo, havia a possibilidade de mistura com grãos vindos de países sem autorização para exportar ao Brasil, como Libéria e Guiné.
Ao mesmo tempo, analistas divergem sobre o motivo da queda no campo. Para parte do mercado, ela reflete a recuperação da oferta e a valorização menor do dólar. Já Bezzon avalia que a retração está ligada, sobretudo, à falta de demanda: com o cacau muito caro antes, a indústria reduziu tamanhos, reformulou produtos e passou a usar outras gorduras e óleos em parte das receitas.
Isso tem impacto direto no consumo e também na percepção do público. Para muitas famílias brasileiras — incluindo casais LGBTQ+ que celebram a data em casa, com filhos, amigos ou rede de afeto escolhida — a Páscoa virou mais uma ocasião em que afeto e orçamento precisam caminhar juntos. O interesse pelo tema cresce justamente porque o preço do chocolate deixou de ser detalhe e virou decisão de compra.
Na avaliação da redação do A Capa, o debate em torno da Páscoa escancara um problema bem brasileiro: quando a matéria-prima cai, o alívio para quem compra demora; quando sobe, o repasse costuma ser quase imediato. Em datas afetivas, isso pesa ainda mais sobre famílias de renda média e baixa, inclusive lares LGBTQ+ que também enfrentam desigualdades de renda e consumo no país.
Perguntas Frequentes
Por que a busca por pascoa 2025 está em alta?
Porque consumidores estão pesquisando preços, ofertas e explicações para o chocolate continuar caro, mesmo com a queda recente do cacau no campo.
O preço do chocolate deve cair logo após a Páscoa?
Segundo analistas citados na reportagem, a tendência é de queda gradual a partir do segundo semestre de 2026, se o cacau seguir mais barato.
Quem está ganhando menos com essa situação?
Os produtores de cacau têm recebido bem menos pela matéria-prima, enquanto o consumidor ainda paga caro no varejo.
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