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Personagem gay fica rosa quando chega perto de rapaz que ama

Ele é fofo, doce e fica rosa toda vez que se aproxima de Tonny, o menino pelo qual é apaixonado. Assim pode ser descrito Bobby, ou Pink Boy – o garoto rosa -, criado pelo ilustrador Neto Montana, de 27 anos.

"É um personagem que criei justamente para refletir ou satirizar acontecimentos que passei durante minha infância", revela Montana sobre o menino rosa. A história de ser filho homossexual de um pai machista e conservador, vivida na pele pelo autor das histórias, foi sua grande inspiração. "Enquanto meu pai fazia de tudo para que eu fosse o menininho machinho que ele sempre quis, eu sempre fiz o contrário. Mesmo às escondidas", conta.

Bobby, o personagem título da série, é um garoto cujo pai insiste em levá-lo a programas entre pai e filho, que visa fortalecer a masculinidade deste último. No primeiro episódio da série o menino rosa chega a inventar que está com 39 graus de febre para não ir a um jogo de beiseibol.

Neto faz alusão a várias referências do mundo gay, como quando o personagem resolve entrar no armário para esconder que é rosa (o que seria sua verdadeira essência) de seu pai e de Tonny, o garoto que ama. "Estar no armário" é sinônimo para um gay, ou lésbica, ainda não assumido. Sobre a idéia o autor explica que a usa "para quebrar o efeito por algum tempo da transformação do garoto. Por que na realidade eu vejo [o armário] como uma fórmula para proteger o homossexual da intolerância."

Em tempo: Neto é gay assumido, e acredita que não agüentaria deixar de ser o que é "ou ficar uma vida inteira escondendo a verdade da minha essência. Isso privaria minha felicidade."

Sobre o rosa do menino Bobby, ele conta que a intenção é "simbolizar o que o menino é na verdade, na sua essência, diferente do que o pai espera dele e o que não pode ser mudado". O garoto fica desta cor tão chamativa quando se aproxima do menino que gosta. "Associo isto a um efeito como se fosse de paixão", diz o ilustrador.

E é essa paixão a cura para o efeito cor-de-rosa, na vida do garoto Bobby. Sua transformação é normalizada, "por um tempo inderteminado", ressalta Neto, sempre quando beija o garoto Tonny.

Neto Montana é autor de outros personagens voltados ao público infantil, como o cachorro pinscher Skip, o urso de pelúcia e o beija-flor Pic & Nic, e o Job Boy, um personagem criado como sátira ao mundo corporativo.

Para conhecer o trabalho de Neto e as histórias do Pink Boy – o menino rosa, clique aqui.

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