Violência policial e preconceito marcaram ação contra folia do Bloco da Benemérita no Carnaval de 2025
Quatro policiais militares foram oficialmente denunciados pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) após uma ação violenta e discriminatória contra o Bloco da Benemérita, evento LGBTQIA+ que reuniu cerca de 5 mil pessoas na Praça Presidente Antônio Carlos, em Juiz de Fora, no Carnaval de 2025.
Vídeos amplamente divulgados nas redes sociais mostraram foliões caídos no chão, passando mal por terem sido atingidos por spray de pimenta disparado pelos policiais, mesmo com a festa transcorrendo pacificamente. A denúncia, assinada pelo promotor Hélvio Simões Vidal, aponta que a intervenção policial foi marcada por abuso de autoridade, agressões físicas e motivada por preconceito transfóbico e homofóbico.
Uso injustificado de spray de pimenta e agressões
Segundo o MPMG, o uso do spray de pimenta contrariou as normas técnicas da própria corporação, sendo empregado sem qualquer distúrbio ou motivo que justificasse a dispersão agressiva do público. Testemunhas confirmaram que o gás foi lançado indiscriminadamente para dispersar pessoas próximas ao palco, causando sufocamento e desmaios.
Além disso, um dos sargentos foi denunciado por invadir o palco para prender a artista MC Xuxu, que fazia críticas à atuação da polícia no momento da confusão. O companheiro da artista, que tentou intervir, foi agredido com um golpe de bastão e algemado de maneira pública e arbitrária, violando as regras legais do uso de algemas.
Falsificação de documentos e omissão
A denúncia também revela que um cabo da PM teria falsificado informações no boletim de ocorrência para encobrir as ações ilegítimas da corporação. Já o comandante da operação, um tenente presente no local, foi acusado de omissão dolosa por não impedir as agressões e prisões arbitrárias.
Crimes imputados aos policiais
Os quatro militares respondem por diversos crimes, como uso de gás tóxico, violência arbitrária, lesão corporal leve, abuso de autoridade, falsidade ideológica e discriminação por identidade de gênero e orientação sexual, reforçando a gravidade da ação contra a comunidade LGBTQIA+ que celebrava no carnaval.
Essa denúncia representa um passo importante no combate ao preconceito e à violência policial contra a população LGBTQIA+ em Juiz de Fora, Minas Gerais. A luta por respeito e direitos segue firme, mostrando que a repressão não será silenciada.
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