A cantora Anitta fez uma ironia contundente em resposta à moção de repúdio apresentada pelo vereador Guilherme Kilter, do partido Novo, contra seu show programado para este sábado, 15 de fevereiro de 2025, na Pedreira Paulo Leminski, em Curitiba, no Brasil. A iniciativa do vereador gerou polêmica e críticas entre seus colegas da Câmara Municipal de Curitiba (CMC), levando à retirada da proposta da pauta.
Na justificativa de sua moção, Kilter argumentou que Anitta “subverte os valores da sociedade” e que suas letras estariam em desacordo com os princípios da “família tradicional brasileira”. Ele também alegou que a apresentação da artista poderia ter impactos culturais negativos, desconsiderando, no entanto, os benefícios econômicos que o evento traria para a cidade.
A resposta de Anitta foi rápida e irônica, publicada em suas redes sociais. “Tanto problema sério de verdade pra ser resolvido e o cara usando seu tempo de trabalho com isso. Gratidão, querida”, escreveu a cantora no Instagram da vereadora Camilla Gonda, do PSB, acompanhando a mensagem com um emoji de coração.
A polêmica criou divisões entre os vereadores. O 1º vice-presidente da Câmara, Leonidas Dias, do partido Pode, se posicionou contra a moção, defendendo que se trata de um evento privado e que “vai quem quer”. Camilla Gonda também criticou a proposta, considerando-a irrelevante para a cidade.
Após as críticas, Kilter retirou a moção de repúdio da pauta na quarta-feira, 12 de fevereiro, mas deixou claro que pretende protocolar uma nova manifestação contra Anitta. “Quero manifestar meu total repúdio e desprezo [à Anitta]”, afirmou, reiterando que considera o comportamento da cantora uma afronta aos valores tradicionais.
Outros vereadores, como Leonidas Dias e Pier Petruzziello, do PP, defenderam a liberdade econômica dos produtores culturais, ressaltando que o evento não envolve dinheiro público. Camilla Gonda também apontou uma contradição entre a defesa da liberdade de mercado feita pelo partido Novo e a moção de repúdio. A postura do vereador Kilter também foi criticada por Laís Leão, do PDT, e Giorgia Prates, do PT, que destacaram um viés machista em suas declarações sobre a artista.
Este episódio revela não apenas a resistência de figuras políticas a manifestações culturais que consideram fora de seus padrões, mas também a força e a influência que artistas como Anitta têm na sociedade contemporânea, especialmente entre a comunidade LGBT, que frequentemente encontra na música e no ativismo de Anitta uma forma de expressão e empoderamento.
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