Mais de 100 pessoas foram detidas e sofreram abusos em operação policial contra comunidade LGBTQIA+
No coração de Baku, capital do Azerbaijão, um espaço conhecido por acolher a comunidade LGBTQIA+ foi alvo de uma ação policial brutal que chocou ativistas e defensores dos direitos humanos. Na madrugada do último mês, mais de 100 pessoas foram detidas em uma operação que, segundo relatos, não teve como objetivo apenas o cumprimento da lei, mas sim a perseguição e humilhação de pessoas por sua orientação sexual e identidade de gênero.
Abusos e humilhações durante a operação
De acordo com testemunhas, a polícia chegou ao local pouco depois da meia-noite, confiscando os celulares dos presentes e exigindo as senhas para vasculhar fotos e vídeos privados, tudo isso sem mandados judiciais. Os detidos foram levados à delegacia do distrito de Nasimi, onde ficaram expostos ao frio por até cinco horas, sem roupas adequadas, alimentos ou água suficiente — uma única garrafa foi fornecida para todo o grupo.
Além das condições desumanas, relatos indicam agressões físicas e psicológicas: uma pessoa teve um dente quebrado após uso excessivo de força policial, outras foram impedidas de usar o banheiro por horas, e uma mulher que sofreu uma convulsão epiléptica foi alvo de insultos em vez de receber ajuda imediata.
Violação de direitos e extorsão
Na delegacia, os agentes coletaram dados biométricos dos detidos, como impressões digitais, procedimento reservado normalmente a suspeitos de crimes graves, sem oferecer justificativas legais. Também foram submetidos a testes de drogas forçados e questionamentos vexatórios sobre suas vidas pessoais e sexualidade.
O governo só liberou os detidos após cobrar multas no valor entre 30 e 150 manats do Azerbaijão (aproximadamente 17 a 88 dólares), caracterizando extorsão disfarçada de sanção administrativa.
Um passado de repressão e impunidade
Essa ação policial remete a um episódio semelhante em 2017, quando detenções em massa contra pessoas LGBTQIA+ foram acompanhadas de tortura e extorsão. Apesar de o Tribunal Europeu de Direitos Humanos ter condenado o Azerbaijão por violações, nenhuma responsabilização efetiva foi realizada até hoje.
Até o momento, o Ministério do Interior não se pronunciou oficialmente sobre a operação. Nas redes sociais, uma conta ligada à polícia divulgou um vídeo com imagens supostamente apreendidas, justificando a ação como resposta a reclamações de moradores sobre “comportamento antiético” e perturbação da vizinhança.
O que a comunidade LGBTQIA+ enfrenta no Azerbaijão
O episódio em Baku expõe uma dura realidade para pessoas LGBTQIA+ no Azerbaijão, onde o medo e a discriminação institucionalizada ainda são barreiras diárias. Espaços seguros são raros e frequentemente ameaçados por ações arbitrárias das autoridades, que promovem um ambiente hostil e violento.
É urgente que as autoridades azerbaijanas investiguem de forma independente os abusos relatados, devolvam os pertences confiscados e garantam proteção efetiva contra discriminação e violência para todas as pessoas, independentemente de sua orientação sexual ou identidade de gênero.
Para a comunidade LGBTQIA+, essas repressões não são apenas ataques individuais, mas uma tentativa de silenciar e invisibilizar identidades que resistem apesar das adversidades. A coragem dessas pessoas em seguir afirmando suas existências e lutando por seus direitos é uma luz que desafia a opressão e inspira a construção de um futuro mais justo e inclusivo.
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