27 falhas na apuração da morte de Ed Cornes expõem preconceito e pedem reabertura do caso
Em uma revelação dolorosa e urgente, a Polícia Metropolitana de Londres foi acusada de cometer 27 falhas graves na investigação da morte do estudante Ed Cornes, um jovem gay de 19 anos que foi encontrado morto em um quarto de hotel na região de King’s Cross, apenas dois dias após iniciar seu primeiro semestre na University College London.
Ed Cornes, descrito por sua mãe Miriam Blythe como seu “melhor amigo” e “o ser humano mais doce e engraçado”, teve sua morte marcada por um tratamento policial que, segundo familiares, foi permeado por homofobia. A mãe denuncia que as autoridades focaram excessivamente na sexualidade de Ed e em seu estilo de vida, negligenciando entrevistas com testemunhas importantes e permitindo que provas cruciais fossem perdidas durante as investigações.
Um caso marcado por preconceito e negligência
O jovem foi encontrado com 36 cortes e outras lesões no corpo, além de níveis elevados de GHB, uma droga comumente associada ao chemsex. Dois homens, Matthew Butler e Ian Casimir, foram inicialmente presos sob suspeita de homicídio, mas acabaram liberados sem acusações. A polícia descartou a participação de terceiros, conclusão confirmada posteriormente em um inquérito oficial.
Porém, o que mais revolta a família é o tratamento dado ao caso: segundo a mãe e o melhor amigo de Ed, Sam Price, a homofobia foi evidente desde o início, afetando a qualidade e a seriedade da investigação. Miriam relata que os policiais recusaram-se a ouvir os amigos de Ed e priorizaram discutir sua orientação sexual e uso de drogas, em vez de buscar respostas concretas.
Contexto de uma polícia institucionalmente homofóbica
O caso se desenrola em meio a um panorama preocupante: um relatório da Baroness Casey, divulgado em 2023, apontou a Polícia Metropolitana de Londres como uma instituição com cultura homofóbica, racista e sexista. Essa constatação amplia o debate sobre o impacto dessas falhas na confiança da comunidade LGBTQIA+ na polícia e no sistema de justiça.
A própria Polícia Metropolitana reconheceu que a investigação não atingiu os padrões esperados e pediu desculpas à família pela dor adicional causada. Ainda assim, Miriam Blythe e Sam Price clamam pela reabertura do caso por outra força policial e a realização de um novo inquérito para que a verdade seja plenamente esclarecida.
Reflexões sobre o impacto na comunidade LGBTQIA+
Esse episódio não é apenas uma tragédia pessoal, mas um retrato cruel dos desafios enfrentados por pessoas LGBTQIA+ ao buscarem justiça e reconhecimento em instituições que deveriam protegê-las. A falta de sensibilidade e o preconceito institucionalizado não só atrasam investigações como também perpetuam o medo e a invisibilidade.
Para a comunidade LGBTQIA+, a luta por justiça para Ed Cornes simboliza a necessidade urgente de transformação nas forças policiais e na sociedade em geral, para que vidas queer sejam valorizadas e protegidas com o respeito e a dignidade que merecem.
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