Investigador denuncia homofobia institucional e luta por direito e respeito dentro das forças policiais
Rizannio Bezerra, investigador da Polícia Civil do Amazonas e diretor da Rede Nacional de Operadores de Segurança Pública LGBTQIA+ (Renosp), revelou os desafios profundos enfrentados por agentes de segurança que vivem sua identidade sexual e de gênero em um ambiente marcado pelo preconceito estrutural e machismo. Com mais de duas décadas na corporação, ele conta que só assumiu sua orientação sexual em 2022, após 21 anos de silêncio, por medo da discriminação dentro da própria polícia.
Segundo Rizannio, o preconceito institucional é uma das maiores barreiras para que policiais LGBTQIA+ possam atuar com segurança e respeito. “Ser gay dentro da polícia é enfrentar a ideia equivocada de que não somos capazes ou não somos homens de verdade”, explica. Ele destaca que essa homofobia se soma a outras formas de opressão, como racismo e misoginia, tornando o ambiente ainda mais hostil, especialmente para quem é negro e LGBTQIA+.
Renosp: uma voz necessária dentro das forças policiais
A Renosp nasceu em 2010 como um movimento de agentes de segurança pública que buscam combater a homofobia e promover os direitos das pessoas LGBTQIA+ dentro das corporações. Atualmente, conta com mais de 100 membros espalhados pelo Brasil, mas Rizannio é o único associado no Amazonas. Ele faz um chamado para que mais policiais e agentes de segurança com sexualidade diversa se unam à rede, fortalecendo a luta contra o preconceito e a exclusão.
Desafios no atendimento à população LGBTQIA+
Além da discriminação interna, Rizannio alerta para as dificuldades que pessoas LGBTQIA+ enfrentam ao buscar apoio nas delegacias e demais órgãos de segurança. Ele relata que registros de ocorrências que envolvem vítimas ou autores LGBTQIA+ muitas vezes são tratados com descaso, inferiorizando a denúncia ou agravando ainda mais a vulnerabilidade da pessoa. “Quando alguém LGBT comete um crime, o tratamento é desumano, como se fossem lixo”, lamenta.
Ele também ressalta que, apesar da equiparação da homotransfobia ao crime de racismo pelo Supremo Tribunal Federal (STF) há cinco anos, ainda há falhas na aplicação efetiva dessa legislação nas instituições de segurança. A falta de treinamento e sensibilização adequada dos agentes contribui para que o preconceito persista no atendimento.
Formação e representatividade como caminhos para mudança
Rizannio acredita que a transformação passa por uma educação inclusiva já nas academias de formação policial, para que as próximas gerações de agentes compreendam a importância do respeito à diversidade. Ele compartilha uma experiência positiva vivida em uma delegacia de Novo Airão, onde um policial demonstrou sensibilidade ao perguntar a uma travesti como gostaria de ser chamada, atitude que contrasta com a postura preconceituosa de outros agentes.
Além disso, o diretor da Renosp destaca a importância da representatividade LGBTQIA+ na política como forma de garantir direitos e avanços legislativos. Ele cita exemplos nacionais de parlamentares e defende que a comunidade eleja mais candidaturas que possam defender pautas inclusivas e combater retrocessos.
Reconhecimento da homofobia em crimes e a luta por justiça
O caso recente do jovem Fernando D’Ávila, assassinado em Manaus motivado por injúria homofóbica, trouxe à tona a necessidade urgente de reconhecimento e combate a esse tipo de crime. Rizannio elogia a celeridade da Justiça no caso, mas alerta que outras mortes motivadas por homofobia, como a de um rapaz em Manacapuru, ainda não receberam a mesma atenção.
Para ele, a resposta rápida do sistema de justiça é fundamental para dar voz às vítimas LGBTQIA+ e enviar uma mensagem clara contra a impunidade, mas isso só será possível com políticas públicas efetivas, formação continuada dos agentes e o compromisso real das instituições com o respeito e a diversidade.
Em meio a um cenário ainda hostil, a trajetória de Rizannio Bezerra inspira resistência e esperança, mostrando que a luta por uma segurança pública livre de preconceitos é também uma luta por dignidade, direitos e reconhecimento para toda a comunidade LGBTQIA+ no Amazonas e no Brasil.
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