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Por que o número 24 é considerado “gay” no Brasil?

Entenda a origem e o significado do tabu do número 24 na cultura brasileira e seu impacto na comunidade LGBTQIA+
Por que o número 24 é considerado “gay” no Brasil?

Entenda a origem e o significado do tabu do número 24 na cultura brasileira e seu impacto na comunidade LGBTQIA+

No Brasil, o número 24 carrega um significado muito além do simples valor numérico: ele é considerado “gay” por uma combinação de história, linguagem e cultura popular. Mas de onde vem essa associação e como ela influencia a vida das pessoas, especialmente no universo do futebol e na comunidade LGBTQIA+?

A origem do tabu: o Jogo do Bicho e o “veado”

O número 24 está ligado a um jogo de azar tradicional no Brasil chamado “Jogo do Bicho”, criado no início do século 20 pelo barão João Batista Viana Drummond, fundador do zoológico do Rio de Janeiro. Nesse jogo, cada número corresponde a um animal, e o número 24 representa o veado. No português brasileiro, “veado” é um termo pejorativo usado como insulto homofóbico, similar ao uso da palavra “bicha” ou até mesmo ao “faggot” em inglês.

Por isso, o número 24 passou a ser associado à ideia de feminilidade e homossexualidade, tornando-se um tabu especialmente entre homens heterossexuais, que evitam usá-lo em situações cotidianas, como escolher assentos em cinemas, alugar apartamentos ou até mesmo em uniformes esportivos.

Um trocadilho que reforça o estigma

Além da ligação com o animal, o número 24 em português, “vinte e quatro”, pode ser ouvido como a frase “vim de quatro”, que é uma expressão com conotação sexual explícita. Esse trocadilho fortalece ainda mais o estigma e o humor homofóbico em torno do número, fazendo com que ele seja alvo de memes e piadas na internet.

O futebol e o número 24: resistência e representatividade

No futebol brasileiro, a homofobia em relação ao número 24 é notória. Jogadores heterossexuais muitas vezes evitam usá-lo para não terem sua masculinidade questionada. Porém, para muitos atletas gays e LGBTQIA+, o número 24 tornou-se um símbolo de resistência contra a homofobia.

Em 2020, o meio-campista colombiano Victor Cantillo desafiou esse preconceito ao manter o número 24 em um clube de São Paulo, recebendo críticas da diretoria. Em resposta, outros jogadores, incluindo o famoso atacante Gabriel Barbosa, conhecido como Gabigol, adotaram o número como uma forma de protesto e afirmação da diversidade.

Bernardo Gonzales, jogador e ativista trans do time de futsal masculino em São Paulo, exemplifica essa resistência ao usar o número 24 como sua camisa, representando orgulho e luta contra os preconceitos dentro e fora dos campos.

Impacto cultural e social do tabu

O tabu do número 24 revela como símbolos cotidianos podem ser carregados de significados culturais que refletem preconceitos e lutas sociais. A transformação desse número de um símbolo de humilhação para um emblema de resistência LGBTQIA+ mostra a capacidade da comunidade de ressignificar o que antes era usado para oprimir.

Essa ressignificação contribui para o combate à homofobia estrutural no Brasil, especialmente em espaços tradicionalmente machistas como o futebol. O número 24, assim, se torna um convite à reflexão sobre masculinidade, diversidade e aceitação.

Em um país onde o preconceito ainda é forte, pequenos gestos como a adoção do número 24 por atletas LGBTQIA+ são grandes passos para visibilidade e empoderamento da comunidade. Eles nos lembram que resistência também pode estar nos detalhes, nas escolhas que desconstroem estigmas e promovem inclusão.

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