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Práticas de conversão sexual: um terço busca por vontade própria

Práticas de conversão sexual: um terço busca por vontade própria

Estudo revela que muitas pessoas LGBTQIA+ em Portugal tentam mudar sua orientação por pressão interna

Em Portugal, as práticas de conversão sexual, embora desacreditadas pela comunidade médica internacional, ainda atingem a população LGBTQIA+. Um estudo recente conduzido pelo professor Pedro Alexandre Costa, da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, revela um dado inquietante: cerca de 38% das pessoas submetidas a essas práticas o fizeram por iniciativa própria.

Entre 2021 e 2023, a pesquisa mostrou que a maioria dos indivíduos submetidos a tentativas de conversão foram coagidos, mas uma parcela significativa internaliza a rejeição social e as normas preconceituosas, levando-os a buscar voluntariamente alterar sua orientação sexual ou identidade de gênero. Esse fenômeno é conhecido como ‘transfobia internalizada’, onde a pressão social se torna um julgamento interno, dificultando a autoaceitação.

O impacto emocional e social da transfobia internalizada

Para muitas pessoas LGBTQIA+, a luta diária contra o preconceito não é apenas externa, mas uma batalha interna que pode levar a decisões dolorosas, como recorrer às práticas de conversão sexual. O estudo destaca que aqueles que escolhem voluntariamente passar por esse processo geralmente enfrentam maiores dificuldades para se aceitarem, o que pode aumentar o risco de problemas psicológicos graves, incluindo pensamentos suicidas.

Apesar do avanço dos direitos LGBTQIA+ em Portugal, essas práticas continuam a ser uma ameaça oculta, reforçada por preconceitos ainda enraizados em setores da sociedade, e por vezes até em ambientes familiares e religiosos.

Por que falar sobre práticas de conversão sexual é urgente?

Denunciar e combater as práticas de conversão sexual é essencial para garantir a saúde mental e o respeito à diversidade. A comunidade LGBTQIA+ precisa de apoio e acolhimento, não de tentativas de mudança forçada ou autoimposta. É fundamental que o debate público e as políticas públicas avancem para proteger os direitos humanos e oferecer redes de suporte adequadas.

O estudo de Pedro Alexandre Costa reforça a urgência de programas educativos e terapêuticos que promovam a autoaceitação e a valorização da identidade, para que ninguém se sinta pressionado a negar quem é. Afinal, amar e ser quem se é deve ser um direito fundamental e celebrado em toda sua diversidade.

Em tempos de avanços, é essencial lembrar que a luta contra a transfobia internalizada e as práticas de conversão sexual é uma batalha que envolve toda a sociedade, sobretudo para que as vozes LGBTQIA+ possam ser ouvidas, respeitadas e celebradas.

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