Os preços dinâmicos têm gerado polêmica, especialmente em relação aos shows da famosa artista Lady Gaga, que ocorrerão em Barcelona nos dias 28, 29 e 31 de outubro de 2025. Inicialmente, as entradas estavam disponíveis por valores que variavam entre 55 e 180 euros, mas muitos fãs relataram ter pago mais de 600 euros durante o processo de compra. Mas, afinal, como funciona esse sistema de precificação que faz os ingressos dispararem?
As empresas responsáveis pela venda de ingressos utilizam algoritmos que ajustam os preços em tempo real, com base na oferta e demanda. Isso significa que o custo dos ingressos pode mudar drasticamente entre o início e o fim da compra. A Ticketmaster, uma das maiores plataformas de venda de ingressos, se tornou alvo de críticas por essa prática, mas a verdade é que a decisão sobre os preços é tomada pelos artistas e seus produtores, e não apenas pela plataforma.
A Ticketmaster defende a utilização dos preços dinâmicos como uma estratégia para combater a revenda de ingressos e evitar que os preços se tornem exorbitantes no mercado secundário. Esse modelo de precificação não é exclusivo dos shows; ele também é comum em setores como aviação e hotelaria. Por exemplo, plataformas de transporte como o Uber ajustam seus preços com base na demanda em tempo real.
A situação gerou reações das autoridades. Após o aumento expressivo nos preços dos ingressos para os shows da banda Oasis, a Autoridade de Competição e Mercados do Reino Unido requisitou uma revisão desse sistema, levando a Comissão Europeia a iniciar uma investigação sobre as flutuações repentinas nos preços dos ingressos. No contexto espanhol, a Organização de Consumidores e Usuários (OCU) está pedindo a criação de uma regulamentação para os preços dinâmicos, visando proteger os consumidores.
Os fãs se sentem frustrados, pois muitos não conseguem arcar com o alto custo e acabam cedendo, comprando ingressos a preços abusivos para não perder a oportunidade de ver seus ídolos ao vivo. A OCU sugere que as empresas de venda de ingressos sejam obrigadas a respeitar o primeiro preço oferecido aos consumidores, desde que não abandonem o processo de compra. No entanto, até o momento, não há soluções concretas para essa situação.
A disposição dos usuários em pagar valores tão altos pode ser atribuída ao desejo de experiências memoráveis após um longo período de restrições devido à pandemia, além do fenômeno conhecido como FOMO (fear of missing out ou medo de perder algo importante). Isso é ainda mais acentuado quando um artista realiza apenas um show em uma cidade ou retorna após uma longa pausa. Assim, a busca por viver momentos únicos acaba pesando no bolso dos fãs.