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Prisões em casamento LGBTQIA+ expõem violência contra comunidade na Nigéria

25 pessoas são detidas em Kano, Nigéria, após cerimônia de casamento gay ser invadida pela polícia religiosa
Prisões em casamento LGBTQIA+ expõem violência contra comunidade na Nigéria

25 pessoas são detidas em Kano, Nigéria, após cerimônia de casamento gay ser invadida pela polícia religiosa

Na cidade de Kano, no norte da Nigéria, a comunidade LGBTQIA+ voltou a enfrentar uma dura investida da repressão estatal. No último sábado, 25 pessoas foram presas durante uma cerimônia que seria um casamento entre pessoas do mesmo sexo, em um evento privado. A ação foi realizada pela polícia religiosa local, conhecida como Hisbah, que invadiu o local após denúncia de um morador “preocupado” com a realização da união.

Segundo o comandante adjunto da Hisbah, Sheik Mujahid Abubakar, ao chegarem ao espaço do evento, os agentes encontraram um grupo de jovens que aparentavam estar celebrando uma cerimônia matrimonial. Entre os detidos estavam o casal que protagonizava a união, além de amigos e familiares, totalizando 18 homens e sete mulheres, todos levados sob custódia para investigação e possível acusação.

Contexto de criminalização e violação de direitos

A Nigéria é um dos países onde a homossexualidade é severamente criminalizada. Em doze dos 36 estados do país, a Sharia — lei islâmica — é aplicada paralelamente às leis federais, e interpretada de forma que a prática homoafetiva pode ser punida com pena de morte, embora esta nunca tenha sido oficialmente executada. Nas outras regiões, a legislação prevê prisão perpétua para quem mantiver relações entre pessoas do mesmo sexo.

Desde 2014, a promoção e a celebração de uniões homoafetivas são consideradas crimes, com penas que podem chegar a até 14 anos de prisão. Essa legislação rigorosa reflete o amplo preconceito estrutural e a rejeição social que a população LGBTQIA+ enfrenta no país, onde pesquisas recentes apontam que 97% da população se opõe à legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Repressão contínua e resistência LGBTQIA+

Esse episódio de Kano não é isolado. Em agosto de 2023, 67 pessoas tiveram a mesma sorte após serem detidas em outra cerimônia similar, e apenas alguns meses depois, 76 indivíduos foram presos em um evento LGBTQIA+ clandestino. Essas prisões reiteram o clima de medo e perseguição que assola a comunidade, mas também reforçam a urgência do movimento por direitos e dignidade no país.

Enquanto as autoridades mantêm a repressão, ativistas locais e internacionais seguem denunciando as violações e lutando por justiça. A visibilidade dessas histórias no cenário global é fundamental para fortalecer alianças e pressionar por mudanças legislativas que garantam o direito ao amor, à união e à liberdade para todas as pessoas, independentemente de sua orientação ou identidade.

Para a comunidade LGBTQIA+ na Nigéria, cada ato de resistência é uma conquista. Ainda que a violência institucional tente calar as vozes, a luta segue firme, e o sonho de um país mais justo e acolhedor permanece vivo.

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