Um novo projeto lançado pela Secretaria da Diversidade do Ceará (Sediv) promete mapear a população LGBTQIA+ que está no sistema prisional e aqueles que já cumpriram pena, com o objetivo de implementar um programa de empregabilidade. O projeto, denominado ‘Transformar’, foi apresentado em um evento realizado em Fortaleza no dia 14 de fevereiro de 2025, em homenagem ao Dia Estadual de Combate à Transfobia, que ocorre no dia seguinte. A secretária da Diversidade, Mitchelle Meira, destacou a importância desse mapeamento para a formulação de políticas públicas mais eficazes voltadas para a comunidade LGBTQIA+, que frequentemente enfrenta vulnerabilidades, especialmente as pessoas trans e travestis.
A iniciativa é uma colaboração entre a Sediv e a Secretaria da Administração Penitenciária e Ressocialização (SAP), visando a criação de dados confiáveis sobre essa população. Atualmente, estima-se que existam cerca de 500 detentos LGBTQIA+ no Ceará, mas esse número pode estar subnotificado, segundo o secretário executivo da Sediv, André Marinho. Ele explica que muitos indivíduos não se identificam como LGBTQIA+ nos registros, o que dificulta a coleta de dados precisos.
O mapeamento busca também identificar onde esses indivíduos estão cumprindo pena, quais crimes os levaram ao sistema prisional e quais habilidades possuem. O objetivo é criar oportunidades de ressocialização e qualificação profissional, promovendo a inclusão no mercado de trabalho e reduzindo a reincidência criminal. O projeto também pretende estabelecer parcerias com o setor privado e com o Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (Sine/IDT).
Graciane Paula da Silva, uma ex-detenta e atual presidente da Associação de Pessoas Trans e Travestis do Sistema Prisional, compartilhou sua experiência e ressaltou que, apesar de ter conseguido um emprego após sua liberação, muitas outras pessoas enfrentam desafios significativos para reintegrar-se à sociedade. Segundo ela, a comunicação entre os diferentes órgãos responsáveis é insuficiente, dificultando o encaminhamento adequado das egressas.
Além disso, Maite Schneider, cofundadora da Transempregos, destacou que os preconceitos enfrentados por pessoas LGBTQIA+ se somam ao estigma de serem egressas do sistema prisional, complicando ainda mais suas chances de empregabilidade. Um estudo do Fórum Nacional de Travestis e Transexuais Negros e Negras (Fonatrans) revelou que 54,7% das pessoas trans não têm um emprego formal, e as principais demandas para melhorar suas condições de vida incluem educação de qualidade, respeito institucional e formação profissional. Este projeto é um passo importante na luta por igualdade e oportunidade para a comunidade LGBTQIA+ no Ceará.
Quer ficar por dentro de tudo que rola? Dá aquele follow no Insta do Acapa.com.br clicando aqui e cola com a gente nas notícias mais quentes