Conheça os impactos do formato torneio na temporada que agitou o reality drag mais amado do mundo
O verão de 2025 foi marcado pelo lançamento da décima temporada de RuPaul’s Drag Race: All Stars, exibida no Paramount+. Com uma audiência recorde na final, que consagrou Ginger Minj como a grande campeã, essa edição trouxe uma inovação que dividiu opiniões: o formato em torneio com três grupos de seis queens cada.
O que mudou no formato da disputa?
Ao invés do tradicional grupo único de competidoras, as 18 queens foram divididas em três brackets com seis participantes cada. As três melhores de cada grupo avançaram para uma fase de merge, totalizando nove queens, que competiram por algumas semanas até a final. Lá, oito queens participaram de um intenso torneio de lip-sync que definiu a vencedora da temporada.
Vantagens do formato torneio
Esse novo modelo trouxe benefícios importantes para as queens e para o público. Primeiro, a gravação foi mais curta para cada participante — elas precisaram se ausentar por cerca de uma semana para gravar seu grupo, e só voltaram caso passassem para a fase seguinte. Isso facilita a vida das queens, que não precisam pausar suas carreiras e vidas por um mês inteiro.
Além disso, o número reduzido de desafios por grupo (três semanas) permitiu que as queens preparassem menos looks para a runway, garantindo que todos fossem exibidos e valorizados. Isso diminui o investimento financeiro e emocional necessário, tornando o convite para voltar ao programa mais atraente.
Outro ponto positivo é a atenção concentrada que cada grupo recebeu. Com apenas seis queens por vez, o público pôde se conectar melhor e acompanhar o desenvolvimento de cada participante, evitando que algumas fossem ofuscadas em um elenco grande.
Desafios e críticas do novo formato
Por outro lado, o formato também gerou controvérsias. Uma delas é o controle quase total dos produtores sobre a narrativa e o destino das queens. Sem o tradicional lip-sync para salvar a própria pele ou a influência do voto das vencedoras da semana, uma queen que não se destaque logo pode ser deixada de lado sem chance de mostrar seu talento.
Além disso, o elenco maior de 18 participantes por temporada pode ser um problema a longo prazo. O reality já enfrenta uma escassez de queens icônicas para convidar, e usar um número tão alto de participantes pode acelerar esse desgaste, levando queens a voltarem repetidas vezes e diminuindo o frescor do programa.
Por fim, a final com oito queens, muito além do usual, provocou uma sensação de pressa e frustração. O lip-sync final em formato de batalha eliminatória foi intenso, mas também doloroso, com muitas queens vendo seus sonhos serem encerrados em um único episódio.
O futuro do formato All Stars
Apesar das críticas, tudo indica que o formato em torneio veio para ficar em RuPaul’s Drag Race: All Stars. A proposta traz renovação e maior dinamismo, mas para que seja sustentável e justo, ajustes são necessários. Equilibrar a visibilidade, a justiça competitiva e o cuidado com as queens será fundamental para que o reality continue brilhando e abraçando a diversidade que tanto celebramos.
Assim, essa temporada 10, com seus altos e baixos, abre caminho para um debate essencial sobre inovação e representatividade no universo drag, sempre valorizando o talento e a coragem das nossas artistas.