Evento une fé e identidade LGBTQIA+ em espaço seguro e acolhedor durante o Ramadã
Todo ano, durante o Ramadã, mais de 100 pessoas queer se reúnem no Lesbian, Gay, Bisexual, and Transgender Community Center, localizado no West Village de Nova York, para celebrar o iftar — a tradicional quebra do jejum diário do mês sagrado do Islã. Em 2026, essa celebração completou uma década, consolidando-se como um espaço vital para a comunidade LGBTQIA+ muçulmana, que encontra ali um refúgio seguro para expressar suas múltiplas identidades com orgulho e fé.
Uma década de resistência e acolhimento
Iniciado em 2017, logo após a implementação do controverso banimento de viajantes de países muçulmanos nos Estados Unidos, o iftar da comunidade LGBTQIA+ muçulmana nasceu como um ato de resistência contra a exclusão e o preconceito. Sob o tema “Uma Década de Ummah” — termo que designa a comunidade global de muçulmanos unidos pela fé e cultura — o evento celebra a união e a diversidade dentro do Islã, promovendo um espaço onde a espiritualidade e a identidade queer coexistem harmoniosamente.
O evento é marcado por uma programação rica e diversa, que inclui orações conduzidas por pessoas queer, performances de drag, dança do ventre e poesia falada, sempre acompanhados por refeições halal cuidadosamente preparadas por restaurantes muçulmanos locais. Além disso, há um espaço neutro para orações, garantindo que todas as expressões de gênero e crença sejam respeitadas.
Queer e muçulmano: uma identidade plural e afirmativa
Para muitos participantes, o iftar representa muito mais do que uma simples refeição. É um momento de conexão profunda com a fé e a comunidade, um lembrete de que ser queer e muçulmano não são identidades antagônicas, mas complementares. Louisa Benarbane, gerente da Rede de Saúde e Serviços Humanos LGBT do Estado de Nova York, destaca a importância desse espaço para que as pessoas possam viver sua espiritualidade sem renunciar à sua sexualidade ou identidade de gênero.
“É fundamental que os muçulmanos LGBTQIA+ possam estar em um ambiente onde sejam plenamente eles mesmos e, ao mesmo tempo, se sintam conectados à sua fé e cultura”, afirma Benarbane. Para ela, o iftar é um ato de resiliência e celebração diante das crescentes ameaças à comunidade, incluindo ataques políticos e sociais que tentam apagar as existências trans e queer.
Um movimento global de afirmação e visibilidade
Além de Nova York, outras cidades como West Hollywood, na Califórnia, também têm promovido eventos semelhantes, organizados por grupos como Muslims for Progressive Values, que oferecem orações inclusivas e recursos que afirmam a diversidade dentro do Islã. Essas iniciativas são fundamentais para descolonizar narrativas religiosas e combater o estigma que ainda cerca a comunidade LGBTQIA+ muçulmana.
As celebrações e os encontros promovem um sentimento de pertencimento e visibilidade, mostrando que a pluralidade religiosa e de gênero pode coexistir de forma enriquecedora. A presença de ativistas e políticos muçulmanos abertamente queer, como o atual prefeito muçulmano de Nova York, fortalece ainda mais essa rede de apoio e transformação social.
O iftar da comunidade queer muçulmana em Nova York não é apenas uma festa; é um símbolo poderoso de amor, coragem e resistência. Em tempos de tantas adversidades, esses encontros reafirmam que fé e identidade são fontes de força, e que a comunidade LGBTQIA+ muçulmana tem um lugar legítimo e vibrante dentro do tecido social e espiritual.
Ao celebrar os 10 anos do iftar inclusivo, fica claro que espaços assim são essenciais para a construção de uma sociedade mais justa e acolhedora. Para além da comida e das orações, é a afirmação da dignidade humana que alimenta essa comunidade, mostrando que ser queer e muçulmano é um ato de bravura e beleza.
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