Maioria dos colaboradores é trans+ e negra; plataforma investe em representatividade real e justiça social
Em uma iniciativa pioneira, a plataforma QueerAF compartilhou um detalhado relatório sobre a composição de sua equipe de colaboradores e o impacto do seu trabalho na comunidade LGBTQIA+. O levantamento revela dados inéditos que evidenciam a importância da representatividade e do apoio a vozes marginalizadas dentro do jornalismo queer.
Colaboradores trans+ dominam a equipe
Um dos destaques do relatório é que 74% dos colaboradores da QueerAF se identificam como pessoas transgênero ou não-binárias, um crescimento constante nos últimos anos. Isso demonstra o compromisso da plataforma em colocar a comunidade trans+ no centro das narrativas, especialmente num momento em que os direitos desse grupo enfrentam ataques constantes. Além disso, 54% dos colaboradores se identificam como transgênero, 26% como não-binários e 5% como genderqueer, genderfluid ou agênero.
Racismo estrutural e inclusão racial
Outro ponto importante é a composição racial da equipe: 25% dos colaboradores são de comunidades racializadas, uma proporção significativamente maior que a média da imprensa tradicional do Reino Unido. A QueerAF acolhe escritores negros, asiáticos, latinos e de outras origens, reafirmando o compromisso com a interseccionalidade e a luta contra o racismo estrutural dentro e fora da mídia.
Foco em acessibilidade e diversidade funcional
Quatro em cada dez colaboradores se identificam como pessoas com deficiência, doenças crônicas ou neurodivergentes, um número que supera em muito a média nacional de jornalistas com deficiência. A plataforma adapta seus processos para garantir acessibilidade e acolhimento, reconhecendo que muitos talentos são excluídos por falta de suporte adequado.
Orientações sexuais e identidades amplas
A diversidade de orientações sexuais também é ampla: 21% dos colaboradores se identificam como bissexuais, pansexuais ou outras orientações múltiplas, e outros 21% pertencem ao espectro assexual, grupos frequentemente invisibilizados na mídia convencional. A maioria dos colaboradores (53%) se reconhece com o termo “queer”, alinhando-se com a identidade política e comunitária da plataforma.
Financiamento e modelo sustentável
QueerAF mantém um modelo financiado principalmente por membros e doações, evitando anúncios para preservar a independência editorial. Cerca de metade dos recursos é destinada aos salários da equipe, enquanto o restante é investido diretamente em criadores LGBTQIA+, infraestrutura e serviços essenciais para manter a operação. Essa estrutura reforça o compromisso da plataforma com um jornalismo responsável e inclusivo, centrado na comunidade.
Este relatório não é apenas um balanço de números, mas um manifesto de resistência e transformação. QueerAF mostra que é possível construir uma mídia onde os próprios protagonistas das narrativas LGBTQIA+ tenham voz, visibilidade e condições para contar suas histórias com autenticidade e respeito.
Para a comunidade LGBTQIA+, especialmente para pessoas trans+ e racializadas, iniciativas como essa são mais que um avanço jornalístico: são um espaço seguro de afirmação e pertencimento. A transparência e o foco em interseccionalidade reforçam que a luta por direitos e representatividade precisa ser feita com quem vive na pele essas realidades, fortalecendo o coletivo e inspirando futuras gerações a ocupar os lugares de destaque que merecem.
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