Câmara Municipal de Natal nega homenagem à drag queen, revelando preconceitos e alinhamento bolsonarista
A Câmara Municipal de Natal protagonizou um episódio que escancara o preconceito ainda entranhado em algumas instituições políticas do Brasil. Enquanto aprovou com facilidade a concessão do título de cidadão natalense ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que teve papel controverso durante a pandemia, a mesma Casa Legislativa rejeitou a homenagem à cantora e drag queen Pabllo Vittar, ícone da cultura LGBTQIA+ e referência nacional de resistência e sucesso.
Essa incoerência não passou despercebida. A vereadora Thabatta Pimenta (PSOL), autora da proposta, destacou que o episódio revela claramente um viés homofóbico e político entre os vereadores. “Na época de Bolsonaro, a alegação da maioria dos vereadores era de que o título de cidadão é um direito do vereador. Era muito nesse sentido. Então eu disse: vamos testar. Fiz para Pablo e também para Alexandre de Morais. Para mim, isso mostra claramente como eles agem em relação a esses títulos: aprovam apenas o que querem”, afirmou.
Um paradoxo que expõe preconceitos
Enquanto Bolsonaro recebeu honrarias mesmo após sua gestão marcada por decisões que custaram milhares de vidas, Pabllo Vittar, que movimenta multidões e representa a luta LGBTQIA+, foi sumariamente rejeitada. As justificativas dos vereadores que votaram contra a homenagem são reveladoras. Aldo Clemente disse: “Não tenho nada contra a pessoa, o artista. Mas, para merecer a maior honraria da Câmara Municipal de Natal, eu não encontro atributos, justificativa para a concessão dessa maior honraria. Eu voto contrário”.
Já o vereador Fúlvio Saulo (SD) declarou: “Nós temos que ser criteriosos. Não estou falando nada contra o artista Pabllo Vittar. Os vereadores querem dar título a pessoas que não contribuíram, no meu entendimento, com a cidade do Natal. Eu já recebi vários pedidos, inclusive fiquei constrangido em alguns deles, mas serei muito criterioso nos meus títulos e no dos colegas aqui. Então, eu voto contrário também”.
Homofobia velada e alinhamento político
Ao analisar as declarações, fica evidente que os critérios para a concessão de títulos variam conforme o perfil político ou a identidade do homenageado. O fato de Pabllo Vittar ser uma artista LGBTQIA+ e drag queen parece ter sido determinante para a rejeição, enquanto figuras controversas do cenário político são celebradas.
O episódio serve como um alerta para a comunidade LGBTQIA+ e aliados, mostrando que, mesmo em espaços públicos e institucionais, a luta contra o preconceito e o machismo estrutural ainda é urgente. A rejeição do título a Pabllo Vittar não é apenas uma questão política: é uma afronta direta à representatividade e à diversidade que a cantora defende e inspira.
Resistência e representatividade em pauta
Pabllo Vittar é muito mais do que uma artista; é um símbolo de coragem, autenticidade e empoderamento para milhares de pessoas que buscam visibilidade e respeito. A negativa da Câmara de Natal não diminui sua importância, mas reforça a necessidade de fortalecer espaços inclusivos e combater todo tipo de discriminação.
Enquanto isso, a rejeição do título a Pabllo Vittar permanece como um triste reflexo das tensões políticas e sociais que atravessam o Brasil, especialmente em cidades como Natal, onde o bolsonarismo e o conservadorismo ainda encontram espaço para se manifestar abertamente.
Em tempos em que a representatividade LGBTQIA+ avança em muitos setores, atitudes como essa servem para nos lembrar o quanto é vital seguir lutando por respeito, reconhecimento e igualdade, transformando cada rejeição em motivação para continuar a quebrar barreiras.
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