Estudo revela que discursos religiosos não inclusivos podem agravar a saúde mental LGBTQIA+
Uma pesquisa abrangente conduzida pela Universidade McGill traz à tona uma realidade delicada e muitas vezes invisibilizada: para muitas pessoas LGBTQIA+ que são religiosas, a fé pode ser fonte tanto de conforto quanto de sofrimento.
Embora a espiritualidade e a religiosidade sejam tradicionalmente associadas a benefícios para a saúde mental — como sentido de pertencimento e apoio comunitário —, o estudo, publicado no Journal of Homosexuality, mostra que discursos homofóbicos, bifóbicos e transfóbicos internalizados, oriundos de doutrinas religiosas excludentes, podem anular esses efeitos positivos, gerando um impacto negativo profundo na saúde emocional dessas pessoas.
O peso da rejeição interiorizada
O autor principal, Kevin Prada, doutorando em psicologia do aconselhamento, destaca que “todas as pesquisas indicam graves problemas de saúde mental relacionados à rejeição interiorizada decorrente de uma doutrina religiosa não inclusiva”. Essa rejeição pode levar a comportamentos autodestrutivos, como o uso de substâncias e pensamentos suicidas, evidenciando o conflito entre a identidade e a fé.
Para muitas pessoas LGBTQIA+, a espiritualidade — entendida como uma busca pessoal por sentido e conexão com uma força superior — pode coexistir com suas identidades. Porém, a religiosidade institucionalizada, com suas práticas e dogmas rígidos, muitas vezes rejeita explicitamente essas diversidades, tornando-se fonte de angústia e alienação.
Entre permanência, transformação e distanciamento
Apesar do sofrimento, algumas pessoas permanecem ligadas a tradições religiosas não inclusivas, motivadas pelo desejo de pertencimento, continuidade cultural e sentido. Outras, porém, buscam transformar suas relações com a fé, reinterpretando textos e rituais de forma queer e inclusiva.
Há também quem opte por se afastar das instituições religiosas tradicionais, explorando outras formas de espiritualidade que acolham e afirmem suas identidades.
Atenção à plena consciência como alternativa
O estudo aponta a prática da plena consciência (mindfulness) como uma alternativa promissora, capaz de proporcionar benefícios similares à espiritualidade — como calma, enraizamento e busca de sentido — sem os efeitos negativos dos discursos excludentes.
Kevin Prada, membro do Laboratório de Pesquisa em Plena Consciência da McGill, pretende desenvolver intervenções específicas para a comunidade LGBTQIA+, visando fortalecer o bem-estar mental e emocional.
Desafios e perspectivas para pesquisas futuras
Os pesquisadores reconhecem limitações nas atuais análises quantitativas, que não contemplam plenamente a diversidade de experiências, como as pessoas bispirituais. Estudos qualitativos complementares estão em andamento para aprofundar a compreensão dessas realidades complexas.
Essa reflexão é crucial para repensar o papel da religião na vida das pessoas LGBTQIA+, promovendo ambientes de fé que não marginalizem, mas sim acolham e fortaleçam a identidade e a autoestima.
Porque a espiritualidade, em sua essência, deve ser uma fonte de amor e aceitação, nunca um fardo para quem busca viver plenamente quem é.
Esse estudo revela um paradoxo importante: a religião pode ser tanto um refúgio quanto uma armadilha para pessoas LGBTQIA+. Para a comunidade, entender essa dinâmica é essencial para construir espaços seguros onde fé e identidade possam coexistir sem culpa nem medo. O diálogo entre espiritualidade e diversidade sexual e de gênero precisa avançar, para que a saúde mental e o bem-estar emocional sejam verdadeiramente preservados.
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