Diretor Josalynn Smith traz um road trip tenso e sensual, explorando amor e desafios intracomunitários LGBTQIA+
Prepare-se para uma experiência cinematográfica que vai mexer com seu coração e sua mente. Ride or Die, o thriller queer dirigido por Josalynn Smith, chega ao Florida Film Festival para mostrar que o amor entre duas mulheres pode ser ao mesmo tempo eletrizante, complexo e perigoso.
Com uma atmosfera que remete à efervescência do New Queer Cinema dos anos 1990, o filme acompanha a jornada de Paula (Briana Middleton) e Sloane (Stella Everett), duas mulheres muito diferentes que embarcam numa viagem de carro que rapidamente se transforma em um suspense cheio de tensão e reviravoltas. A direção de Josalynn Smith, celebrada por prêmios em festivais como Sundance e SFFILM, imprime uma narrativa que não foge das contradições, mostrando um amor real, com seus desejos, conflitos e dores.
Um retrato honesto das relações queer
O que torna Ride or Die tão especial é sua abordagem honesta sobre os desafios intracomunitários. Josalynn destaca que, apesar das conexões que o universo LGBTQIA+ proporciona, as diferenças de raça, classe social e experiência de vida podem gerar tensões inesperadas. “Eu queria fazer um filme queer que falasse sobre esses desafios internos, porque nem sempre a dor do outro é a mesma”, explica o diretor, ressaltando a complexidade das relações interracial e interclasse dentro da comunidade.
O filme se distancia do romantismo clichê, apresentando uma “anti-romance” que não tem medo de mostrar sexo queer de forma realista, sem filtros ou idealizações. É um retrato de atração elétrica, de encontros que parecem improváveis, mas que carregam uma intensidade difícil de ignorar.
Do amor à tensão: uma jornada inesquecível
Inspirado pelo clássico The Living End de Gregg Araki, Ride or Die utiliza o road trip como metáfora para uma viagem emocional que desafia seus protagonistas. A dualidade entre o sonho romântico e o pesadelo vivido está sempre presente, lembrando que o amor pode ser tanto uma fuga quanto uma prisão.
Como diz Josalynn, “em 1964 Jean-Luc Godard disse que tudo que você precisa para fazer um filme é uma garota e uma arma, e aqui temos duas garotas e uma arma — tire suas próprias conclusões”. A combinação traz uma narrativa potente, que dialoga com o universo queer de forma ousada e atual.
Exibição especial e bate-papo com a diretora
Ride or Die será exibido no dia 17 de abril, às 14h, no Regal Winter Park Village, durante o Florida Film Festival. Após a sessão, Josalynn Smith participará de um Q&A, onde o público poderá mergulhar ainda mais nos temas do filme e conhecer as inspirações por trás dessa obra tão singular.
Para quem busca uma produção queer que foge do lugar-comum, que valoriza a diversidade e a complexidade das relações humanas, Ride or Die promete ser o destaque do festival e um marco no cinema LGBTQIA+ contemporâneo.
O filme não é apenas um thriller; é uma reflexão sobre amor, identidade e as contradições que vivem dentro da comunidade queer. É um convite para sentir, questionar e se apaixonar por personagens que representam a beleza e a dificuldade de ser quem se é, em um mundo que nem sempre entende essa verdade.
Em tempos em que a representatividade é mais necessária do que nunca, Ride or Die chega para reafirmar que histórias LGBTQIA+ podem ser complexas, sensuais, tensas e absolutamente imperdíveis. É uma celebração da pluralidade e das nuances do amor queer, que merece ser vista, sentida e compartilhada por todxs.