Ícone do carnaval deixa desfiles tradicionais e se dedica à folia livre dos trios elétricos
Aos 71 anos, Rita Cadillac, uma das figuras mais emblemáticas do carnaval brasileiro, compartilha com exclusividade sua trajetória na folia e os motivos que a fizeram deixar os desfiles das escolas de samba para se entregar ao carnaval de rua. Com mais de cinco décadas de carreira, a ex-chacrete é uma verdadeira lenda que conquistou o público com sua energia e presença marcante.
Do brilho da Avenida à liberdade dos trios elétricos
Rita já desfilou por praticamente todas as escolas de samba do eixo Rio-São Paulo, acumulando histórias e memórias inesquecíveis. No entanto, após anos de dedicação intensa, ela decidiu se afastar da responsabilidade e do desgaste que os desfiles na Avenida trazem. Agora, seu coração bate forte pelo carnaval de rua, onde é madrinha de três trios elétricos, entre eles os blocos comandados pela drag queen Salete Campari, a jornalista Lisa Gomes e o tradicional bloco Cecílias e Buarques, em São Paulo.
“No trio, eu posso me soltar, brincar e curtir a folia do meu jeito, sem a pressão de estar perfeita o tempo todo”, revelou Rita, que destaca a leveza e a diversão que encontrou na folia livre e democrática das ruas.
Os bastidores e o sufoco das fantasias
Apesar do glamour, Rita não esconde os perrengues enfrentados nos bastidores dos desfiles. Em um relato emocionante, ela lembrou que, certa vez, sua fantasia foi literalmente costurada em seu corpo momentos antes da apresentação, chegando a ser fixada com superbonder na pele — um sufoco que a marcou profundamente e que a fez repensar sua participação na Avenida.
“Eu sou muito certinha, ansiosa, e gosto de ver logo o resultado. Mas no carnaval, muitas vezes, as coisas são feitas na última hora, o que gera uma tensão enorme. Foi quando decidi que minha energia seria melhor aproveitada no carnaval de rua”, explicou.
Entre glamour e investimento pessoal
Além do desgaste físico e emocional, desfilar na Avenida exige um investimento financeiro considerável. Embora as escolas de samba costumem fornecer as fantasias, Rita contou que, com o tempo, precisou assumir os custos para garantir que estivesse impecável no desfile. Ela confidenciou que sua última fantasia custou facilmente mais de R$ 10 mil, um preço alto que nem todos conseguem bancar.
“Você quer uma roupa bonita, que chame atenção, e muitas vezes precisa arcar com essa despesa para manter o padrão que o público espera”, disse a veterana do samba.
Um convite para celebrar a folia autêntica
Para quem quiser acompanhar Rita Cadillac neste carnaval, a artista estará presente nos blocos Cecílias e Buarques, Salete Campari e Lisa Gomes, em diversas datas ao longo de janeiro e fevereiro em São Paulo. Sua presença promete animar ainda mais as ruas, reafirmando seu compromisso com a festa popular e inclusiva.
Rita Cadillac representa mais do que uma estrela do carnaval; ela simboliza a coragem de reinventar-se, de buscar sua própria liberdade dentro da folia. Sua transição dos desfiles tradicionais para o carnaval de rua é um convite para que todas as pessoas, especialmente na comunidade LGBTQIA+, celebrem a diversidade, a autenticidade e o prazer de se expressar sem amarras.
Essa mudança também reflete uma transformação cultural importante: o carnaval como espaço de resistência, onde corpos e identidades são celebrados em sua pluralidade. Para Rita, o carnaval é o momento de soltar as frangas, sim, mas também de se reconectar com uma alegria genuína, sem o peso da pressão estética e das formalidades.
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