in

Ruby Corado enfrenta sentença e medo de prisão sob políticas Trump

Fundadora da Casa Ruby luta contra risco de encarceramento e deportação em meio a retrocessos para pessoas trans
Ruby Corado enfrenta sentença e medo de prisão sob políticas Trump

Fundadora da Casa Ruby luta contra risco de encarceramento e deportação em meio a retrocessos para pessoas trans

Ruby Corado, fundadora da Casa Ruby, uma das mais importantes organizações LGBTQIA+ de Washington, D.C., está prestes a enfrentar uma sentença que pode significar prisão federal em um contexto de políticas severas para pessoas trans. Após ter se declarado culpada por fraude eletrônica relacionada ao uso indevido de recursos de auxílio durante a pandemia de Covid-19, Corado corre risco não só de encarceramento, mas também de deportação para El Salvador, país considerado hostil à população trans.

Contexto do caso e acusações

A Casa Ruby, que durante anos foi referência em apoio a pessoas LGBTQIA+, especialmente trans e sem-teto, fechou após um escândalo envolvendo o uso de quase US$ 1 milhão em fundos federais do Programa de Proteção ao Pagamento e do Empréstimo por Desastre Econômico. As autoridades afirmam que Corado transferiu ilegalmente parte desse dinheiro para contas no exterior, fato que, segundo os promotores, contribuiu para o colapso da organização e prejuízo a funcionários, fornecedores e locadores.

Pedido de sentença alternativa e riscos para pessoas trans

Os advogados de Ruby Corado solicitaram que o juiz federal Trevor McFadden imponha uma sentença de tempo cumprido, argumentando que a encarceramento seria especialmente cruel e perigoso para uma mulher trans. Eles destacam a ausência de antecedentes criminais, a longa trajetória de ativismo LGBTQIA+ e os retrocessos recentes nas políticas federais que aumentaram drasticamente os riscos de violência sexual e maus-tratos para pessoas trans em prisões.

Em dezembro, a administração Trump revogou importantes proteções da Lei de Eliminação do Estupro em Prisões (PREA), deixando pessoas trans vulneráveis a agressões, uso incorreto de pronomes e falta de cuidados médicos essenciais. Para Ruby, que já sobreviveu a traumas de guerra, violência sexual e à condição de pessoa sem-teto, a prisão seria um sofrimento “único e destrutivo”.

Possibilidade de deportação e impacto na comunidade

Por ser residente legal permanente, não cidadã americana, a sentença de prisão provavelmente resultaria em transferência direta para a custódia do ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas) e possíveis processos de deportação. O risco de retorno a El Salvador, onde pessoas trans enfrentam hostilidade extrema, torna o cenário ainda mais dramático.

Os promotores, por sua vez, pedem uma pena de 33 meses, defendendo que Corado traiu a confiança da comunidade LGBTQIA+ num momento de grande necessidade social. Eles argumentam que a punição rigorosa é necessária para reafirmar o respeito à lei.

Reflexões sobre a sentença e a luta trans

O julgamento de Ruby Corado transcende uma questão legal para se tornar um símbolo dos desafios que pessoas trans enfrentam dentro do sistema penal e migratório dos Estados Unidos, especialmente sob administrações que adotam políticas hostis. A possibilidade de encarceramento sob condições degradantes e a ameaça de deportação colocam em evidência a urgência de um olhar sensível e humanizado para as trajetórias trans.

Esse caso também ressalta a importância de reconhecer e proteger a liderança trans em espaços comunitários, que muitas vezes enfrentam adversidades múltiplas, incluindo invisibilização, violência e criminalização. A luta por justiça para Ruby é, portanto, um chamado para reafirmar o compromisso com os direitos humanos e a dignidade da população LGBTQIA+ em todos os contextos.

Que tal um namorado ou um encontro quente?

Jayne Trcka, conhecida por 'Scary Movie' e sua carreira no bodybuilding, faleceu aos 62 anos em San Diego

Morre Jayne Trcka, atriz e bodybuilder que marcou o cinema e fitness

Evento gratuito reúne música, arte e orgulho LGBTQIA+ no Carnaval da capital amazonense

10ª LGBT Folia celebra diversidade com Lorena Simpson em Manaus